
A estrutura do futuro governo de Eduardo Leite (PSDB) ainda não está definida, mas deverá sofrer modificações em relação ao organograma atual. Serão mudanças pontuais para dar maior agilidade à execução de obras, ponto nevrálgico do primeiro mandato. Uma das maiores inquietações de Leite era ter dinheiro em caixa, depois de tantos anos de cofres raspados, e não conseguir executar obras essenciais — em escolas, por exemplo — porque o governo "desaprendeu a gastar".
Partindo dessa premissa, a Secretaria de Obras deverá ser redesenhada, para perder o carimbo de "tranca rua", dado por secretários que se ressentem da lentidão e da burocracia. No caso das escolas, ainda não está definido se o caminho é criar um departamento de obras dentro da Secretaria da Educação ou estruturar uma área na Secretaria de Obras para se encarregar as reformas atrasadas.
Desde o primeiro turno, Leite vem dizendo que as prioridades do seu segundo mandato serão "educação, educação e educação". Para isso, será preciso dotar as escolas de estruturas adequadas. As obras mais simples podem ser executadas diretamente pelas direções, mas as mais complexas, que dependem da Secretaria de Obras, esbarram na morosidade histórica e na justificativa de que faltam engenheiros e arquitetos para fazer projetos.
De fato, Leite conseguiu que a Assembleia aprovasse a contratação emergencial de cem engenheiros, mas só apareceram 29 interessados até agora. O que espanta os candidatos é o baixo salário: R$ 6.854,39, somando-se o básico, a gratificação de estímulo técnico e a gratificação de incentivo às atividades sociais, administrativas e econômicas.
Foi essa incapacidade de executar obras de vulto que levou Eduardo Leite a oferecer quase R$ 500 milhões ao Dnit, que já tem contratos estruturados, para investir na BR-116 e na BR-290. A Assembleia rejeitou a proposta por um voto e o dinheiro ficou para investimentos no próximo governo. Agora, o governador reeleito pensa em propor o investimento de R$ 215 milhões na conclusão de obras da BR-116, na Região Metropolitana e Vale do Sinos. Em troca, o governo federal construiria uma ligação entre a BR-448, a Rodovia do Parque, e a RS-240, em Portão.
Haverá, também, uma tentativa de simplificação de processos, para garantir maior agilidade às obras. Uma das ideias em discussão é terceirizar a elaboração de projetos, com a devida fiscalização pelos técnicos do quadro Estado.
ALIÁS
Cedo ou tarde, o governo terá de rever a remuneração de cargos estratégicos. Não é razoável que o diretor-geral de uma secretaria como a da Educação, com mais empregados do que as maiores empresas do Rio Grande do Sul, ganhe R$ 7,5 mil brutos. Para efeito de comparação, isso é menos da metade do que ganha um chefe de gabinete de deputado na Assembleia.
Leite voltará a morar no Piratini
A partir de janeiro, o governador eleito Eduardo Leite trocará o apartamento alugado em frente ao Parque Marinha do Brasil por um cantinho no Palácio Piratini.
Quando decidiu viver no palácio, em 2019, Leite levou em conta a praticidade de "morar no trabalho" e montou um quarto e sala próximo ao gabinete. A ideia era evitar gastos com segurança, já que o governador tem direito à proteção dia e noite.
Meses depois da mudança, adotou dois cães, Bento e Chica, que foram os companheiros no período mais agudo da pandemia.
União Brasil
Único deputado federal eleito pelo União Brasil no Rio Grande do Sul, Luiz Carlos Busato não deverá ser secretário de Estado. Prefere cumprir o mandato e cuidar da organização do partido, do qual é presidente.
Aliado de primeira hora de Eduardo Leite, o União Brasil terá três deputados na Assembleia: Dirceu Francison, Aloisio Classmann e Thiago Duarte.
Porto Alegre-Brasília
Com dois filhos pequenos, a futura deputada federal Any Ortiz decidiu que fará a ponte-aérea Porto Alegre-Brasília. Quando estiver na capital federal, os meninos ficarão com o marido e com a babá, para não alterar demais a rotina.




