Era uma vez um ex-presidente de quem se dizia ser revestido de Teflon. Nele, nada colava. Isso foi no início do século 21. Luiz Inácio Lula da Silva era presidente da República e perdeu alguns dos seus principais ministros no escândalo do mensalão. Lula escapou, foi reeleito, fez a sucessora e ainda ajudou-a a conquistar o segundo mandato. Chegou a ser chamado para tentar salvá-la, mas a nomeação para a Casa Civil era mais uma tentativa de salvá-lo das garras do juiz Sergio Moro e foi barrada no Supremo Tribunal Federal. Lula, que tanto buscou o foro privilegiado, caiu nas mãos do implacável procurador Rodrigo Janot.
Uma semana antes da votação da admissibilidade do impeachment de sua pupila no Senado, Lula foi duas vezes atingido pela seta certeira de Janot. E são duas encrencas monumentais. Primeiro, foi incluído no inquérito-mãe que investiga a participação de políticos com foro privilegiado na organização criminosa que saqueou a Petrobras. À moda mensalão, nessa investigação misturam-se pessoas com e sem prerrogativa de foro.
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O segundo baque para Lula é a inclusão de seu nome na denúncia contra o senador Delcídio Amaral, preso quando tramava a fuga de Nestor Cerveró para impedir que fizesse delação premiada. Delcídio caiu e fez um acordo em que comprometeu velhos companheiros de partido e de delinquência. Atribuiu a Lula a autoria da operação para comprar o silêncio de Cerveró e detalhou outras falcatruas pluripartidárias. Não poupou sequer a presidente Dilma Rousseff, de quem era líder no Senado.
Com o provável afastamento a partir da próxima semana, Dilma terá de se preocupar com duas defesas: no Senado, para tentar recuperar o mandato, e, no Supremo, para salvar a biografia.
Denúncia não significa condenação, mas a situação política de Lula é de extrema fragilidade. Para todos os efeitos, está no mesmo barco dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros. Dividirá espaço e, talvez, o banco dos réus com outros políticos de diferentes partidos, citados por delatores diversos, incluindo o senador Aécio Neves (PSDB) e o quase ex-senador Delcídio.
Maior do que o mensalão sob todos os pontos de vista, o petrolão vai ocupar a atenção dos ministros do Supremo neste e nos próximos anos. Até 2018, pelo menos.


