Rodrigo Lopes

Rodrigo Lopes

Formado em Jornalismo pela UFRGS, tem mestrado em Ciência da Comunicação pela Unisinos e especialização em Jornalismo Ambiental pelo International Institute for Journalism (Berlim), em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário, e em Estudos Estratégicos Internacionais pela UFRGS. Tem dois livros publicados. Como enviado do Grupo RBS, realizou mais de 30 coberturas internacionais. Foi correspondente em Brasília e, atualmente, escreve sobre política nacional e internacional.

Porto Alegre
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"O SUS não é referenciado pelo local de nascimento", dizem advogados sobre hipótese de Melo de cortar serviços de saúde

Em entrevista nesta terça-feira (25), prefeito disse que atendimentos a pessoas de outros municípios vão continuar

Rodrigo Lopes

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André Ávila / Agencia RBS
Problema já era registrado nos últimos anos, mas se intensificou em 2025.

Nas últimas semanas, o prefeito Sebastião Melo chegou a cogitar o corte de serviços de saúde, como forma de pressionar o governo do Estado por mais recursos para o setor

Porto Alegre está com ocupação acentuada de leitos clínicos do SUS e de leitos de emergência — em grande parte devido a pacientes provenientes do Interior.

Na sexta-feira (14), Melo falou sobre essa possibilidade, caso o Estado não aumente aportes para a saúde da Capital.

— A dor não tem fronteiras, mas eu não tenho mais orçamento para bancar o Interior como estamos bancando hoje. Então, nós vamos ter que cortar serviços. Não tem dinheiro, não tem como pagar a conta. Isso vai ter exposição no momento certo, porque ainda estamos em tratativas com o Estado, mas eu já comuniquei à secretária que haverá corte de serviço.

A coluna questionou advogados e professores de Direito sobre se essa medida, caso se confirmasse, seria legal. A resposta é: não.  

Plínio Saraiva Melgaré, professor de direito constitucional da Fundação Escola Superior do Ministério Público do RS (FMP), afirma que atendimento pelo SUS não pode ser negado. 

— O SUS é universal, público, e não é referenciado pelo local de nascimento ou do domicílio — disse. 

Outro pesquisador, Aloísio Zimmer, advogado e doutor em Direito Público, faz reflexão semelhante.

— Asseguro que os prefeitos não têm poderes para bloquear atendimentos de pessoas de outras cidades. O SUS é universal. Alegam corretamente a dificuldade em responder pelos custos envolvidos. É hoje um problema de difícil solução — considera.

Nesta terça-feira (25), em entrevista à Rádio Gaúcha, Melo afirmou que o sistema na Capital não vai deixar de atender pacientes de outros municípios

É importante salientar que a prefeitura não se refere à suspensão de atendimentos de urgência e emergência em hospitais. Quando fala em desativação de serviços refere-se àqueles que não possam ser mantidos devido à falta de recursos — menos oferta em especialidades e readequação de leitos, por exemplo.

Na segunda-feira (24), após reunião no Centro Administrativo Municipal, o governador Eduardo Leite anunciou que o Estado destinará recursos para a área da saúde em Porto Alegre.

As ações imediatas incluem a triplicação dos recursos destinados à unidade de queimados do Hospital de Pronto Socorro. Outro anúncio envolve a destinação de R$ 16 milhões para acelerar obras em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da cidade, permitindo que sejam habilitadas a receber recursos federais assim que concluídas.

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