
Lá pelo início de agosto, já na segunda metade do inverno, é que Porto Alegre deve retomar uma rotina próxima da normalidade. É o que calcula o prefeito Nelson Marchezan.
– Prevejo quatro meses de confinamento. Posso estar errado, mas prefiro errar dentro de uma relação de transparência com a população – disse o prefeito à coluna.
Segundo Marchezan, esse prazo até poderia ser mais curto, mas Porto Alegre – e o Estado inteiro – tem "um agravante": o nosso frio. A partir de maio, tradicionalmente o sistema de saúde começa a receber mais gente. A demanda por leitos e internação, que já costuma crescer muito, certamente aumentará ainda mais com a epidemia de um vírus novo.
– Estamos fazendo tudo para nos prepararmos, mas a sociedade precisa entender uma coisa: as pessoas têm que ir para casa. Imediatamente – pede o prefeito.
O raciocínio é simples: se houver menos gente na rua, onde o vírus circula, menos gente será infectada. E, com menos gente infectada, haverá menos pessoas doentes. Se for assim, o sistema de saúde talvez dê conta – mas, se tivermos muita gente doente ao mesmo tempo, ele entra em colapso.
– É a maior crise mundial que a gente já enfrentou. Nunca imaginei passar por isso: eu via em filme, lia sobre a gripe espanhola... – Marchezan embarga a voz e, antes de desligar, pede outra vez: – Reforça para as pessoas ficarem em casa.



