Marta Sfredo

Marta Sfredo

A coluna online é um pouco diferente da GPS da Economia, de Zero Hora, que também assino. Aqui, cabe tudo. No jornal impresso, o foco é em análise dos temas que determinam a economia (juro, inflação, câmbio, PIB), universo empresarial e investimentos.

Concorrência no radar

Por que o presidente do BC está anunciando o fim dos apps de bancos

Segundo Campos Neto, sistema Open Finance terá um superaplicativo agregador para todas as instituições

Marta Sfredo

Enviar email

Para muitos, foi um susto, para outros, um alívio: presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto afirmou que "em até um ano e meio, dois anos, não terá mais app de Bradesco, Itaú"

O que ele quis dizer é que todos os aplicativos específicos de cada instituição serão substituídos, com vantagens, por um agregador capaz de dar acesso a todas as contas de um determinado cliente.

O que vai permitir essa nova ferramenta é o sistema que o BC começou chamando de  Open Banking, depois virou Open Finance, quando passou a ir além de meras transações bancárias e passou a abranger investimentos. Os dois nomes em inglês se referem ao compartilhamento das informações do cliente de determinada instituição financeiras com as demais, daí o insistente uso da palavra "open", que quer dizer aberto.

Segundo Campos Neto, a aceitação do sistema entre os brasileiros foi rápida, e hoje entre 50 e 60 milhões de pessoas já usam,  mesmo antes de ter acesso aos benefícios da inovação.

— O Open Finance gera portabilidade e comparabilidade em tempo real. O nosso é o mais amplo e programável do mundo — afirmou.

O objetivo do mecanismo é aumentar a concorrência no concentrado sistema financeiro do Brasil. Os cinco maiores bancos - Itaú, Bradesco, Caixa, Banco do Brasil e Santander - detinham 78,2% do crédito concedido no país em 2020. A fatia encolheu para 76,6% em 2021. Em 2022, o BC mudou a metodologia do cálculo: excluiu o Santander e informou que os quatro maiores agora representam 59% do mercado de crédito.

Além de dificultar o acesso de instituições menores, esse oligopólio - o palavrão quer dizer que poucos dominam um mercado - representa um potencial risco para todo o sistema financeiro. Se um desses bancos tiver algum problema - hipótese que está com probabilidade em alta depois do ataque hacker a uma das unidades do maior banco do mundo - pode desestabilizar todos os demais.. 

Sobre o prazo para o "superapp" bancário estar pronto, é melhor ter cautela. Embora Campos Neto goste de mencionar que, quando o Pix surgiu, a previsão de lançamento era 2024 e ele pediu "em seis meses", o cronograma específico do Open Finance, que é mais complexo, foi várias vezes dilatado. Então, pode ser em até dois anos. Ou um pouquinho mais.

O que é Open Finance

O princípio é de que os dados bancários pertencem aos clientes, não às instituições. Por isso, o BC passou a exigir que as instituições financeiras cedam essas informações sem custo quando o cliente pedir. O objetivo é permitir que as pessoas movimentem suas contas em diferentes plataformas, e não só pelo aplicativo ou site do banco à qual estão ligadas. Veja mais detalhes na área do BC destinada ao assunto clicando aqui.

Os detalhes

O consentimento
É feito caso a caso, de forma individual, por prazo máximo de 12 meses. A instituição interessada em fazer uma oferta  consulta o cliente sobre o interesse em compartilhar os dados e, se for autorizada, pede as informações ao banco que guarda os dados, com finalidade e prazo restritos. Se o correntista mudar de ideia, pode cancelar a qualquer momento.

O ambiente
As informações cadastrais e das operações que o cliente tem com seu banco não podem ser usadas pelo sistema financeiro como um todo, mas apenas por instituições com expressa liberação do interessado. A comunicação entre os bancos ocorre por plataformas API (sigla em inglês para protocolo de interface entre aplicativos), que permitem contato entre apps. O processo precisa de duplo consentimento: o cliente precisa autorizar a instituição X a pedir seus dados e a instituição Y a fornecê-los. 

A segurança
O ecossistema do open banking já surgiu dentro das regra da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Até para autoproteção, a indústria bancária no Brasil é reconhecida por reunir alguns dos maiores especialistas na área de segurança cibernética. O investimento na arquitetura do open finance estimado em cerca de R$ 98 milhões, foi financiado em 90% pelos grandes bancos.


Leia mais na coluna de Marta Sfredo


GZH faz parte do The Trust Project
Saiba Mais
RBS BRAND STUDIO

Madrugada Gaúcha

03:00 - 05:00