
Depois de anunciar a renúncia de Pedro Parente da presidência da Petrobras com o mercado aberto, provocando até interrupção na negociação das ações da estatal, seu substituto – ao menos temporário – só foi anunciado depois que a bolsa fechou. O resultado foi uma queda de quase 15% nas ações da empresa, com a bolsa fechando no positivo, em 0,63%. Caso tivesse sido comunicada antes, a substituição de Parente por Ivan de Souza Monteiro, atual diretor financeiro e de relações com o mercado da Petrobras, poderia até se suavizado o tombo.
Monteiro foi anunciado como presidente interino, para que a estatal não fosse obrigada a passar um final de semana acéfala em um momento de grave crise para a empresa e o país. Mas a substituição definitiva não deve fugir muito desse figurino. Se o diretor financeiro não ficar no cargo – havia informações de que declinaria dessa responsabilidade –, a principal cadeira da direção ainda pode ficar com a colega de exploração e produção, Solange da Silva Guedes.
Apesar de o mercado fazer clara distinção entre os dois perfis, Monteiro chegou à Petrobras pelas mãos de Aldemir Bendine, que chegou a ser preso no âmbito da Operação Lava-Jato. Era um dos executivos do Banco do Brasil que Bendine, ao trocar a instituição financeira pela Petrobras a convite da ex- presidente Dilma Rousseff, levou para a estatal. Isso não quer dizer que o executivo vá aplicar na gestão as orientações da época, mas será preciso gastar um pouco mais de latim para explicar ao grande público as diferenças entre Monteiro e Bendine.
Um dos motivos para a "solução interna" é a dificuldade de atrair, nesse momento, grandes executivos para a presidência da Petrobras. Mais de um candidato potencial consultado pela coluna comentou, ao receber consulta informal sobre o interesse no cargo: "No governo Temer? Nem pensar", com poucas variações.



