
A operação do quarto dia de buscas ao menino Miguel dos Santos Rodrigues, de sete anos, que a própria mãe diz ter jogado no Rio Tramandaí, em Imbé, no Litoral Norte, envolve 18 pessoas do Corpo de Bombeiros, do Pelotão Ambiental da Brigada Militar e da Marinha.
Neste domingo (1º), a procura ocorre em barcos no leito do rio, com mergulhadores em pontos onde o corpo da criança pode ter ficado preso na área da lagoa, e também por monitoramento na areia da praia de Imbé — para o comandante da operação e dos bombeiros de Tramandaí, tenente Elísio Lucrécio, são grandes as chances de a correnteza ter levado o menino para o mar.
— Queremos terminar hoje a busca embaixo dos trapiches, debaixo dos pilares da ponte, e eliminar todas as chances de estar no rio. Se foi para o mar, infelizmente, não tem muito o que fazer— relata.
O Corpo de Bombeiros de Torres e Capão da Canoa, ao norte de Imbé, já foram acionados para reforçar as buscas por terra. A Marinha também já disparou um sinal para os tripulantes de embarcações próximas ficarem alertas.
O crime
A Polícia Civil prendeu em flagrante, por homicídio, a mãe, Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, 26 anos, que confessou ter matado a criança. Ela procurou a delegacia na tarde de quinta-feira (29) para registrar o desaparecimento do menino, mas acabou relatando ter dopado a criança e arremessado o corpo no Rio Tramandaí. Os bombeiros iniciaram buscas pela criança ainda na quinta-feira.
Conforme o delegado Antônio Carlos Ratcz, a mulher detalhou como teria acontecido o crime. A mãe contou ter dopado a criança com um antidepressivo e, depois, colocado o corpo em uma mala, na madrugada de quinta. Em seguida, teria saído com a companheira, Bruna Nathiele Porto da Rosa, da casa onde moravam, na área central de Imbé.

— Era uma mala de rodinhas. Ela saiu puxando e foi até o Rio Tramandaí, onde diz que retirou o corpo do menino e jogou na água. Ela não sabe se ele estava morto quando jogou. Nesse tempo todo de polícia, é uma das coisas mais horrendas que já vi — afirmou o delegado.
Embora tenha ouvido a mãe e a companheira, o policial optou no momento por autuar somente o flagrante da mãe. Isso porque percebeu indícios de que a companheira sofra de problemas mentais — a responsabilidade dela será apurada ao longo da investigação.
No depoimento, a mãe alegou que o menino era teimoso e que se negava a comer. Segundo o delegado, ela mesma relatou torturas físicas e psicológicas que eram sofridas pela criança.

