
Mais uma empresa que se passa por corretora de investimento é investigada no Vale do Sinos por suspeita de fraude. A Escolha Resultados Consultoria Financeira, em São Leopoldo, fechou as portas no mês passado sem devolver aos clientes o dinheiro aplicado. O caso está sendo apurado pela 1ª Delegacia da Polícia Civil de São Leopoldo. Por enquanto, duas vítimas registraram ocorrência.
— O rapaz se dizia trader (profissional do mercado financeiro que busca ganhar dinheiro com operações de curto prazo), em suma, e prometia lucratividade fixa nos investimentos dos clientes — conta a delegada Cibelle Savi, que investiga o caso.
Segundo Cibelle, diligências serão feitas nos próximos dias para buscar mais detalhes sobre o caso.
— As vítimas entabularam como estelionato, mas o fato também se amolda a crime contra a economia popular ou até mesmo contra a ordem econômico-financeira, a depender das peculiaridades — explica.
Uma das vítimas que registrou ocorrência relatou que existia promessa de rentabilidade de 10% ao mês.
— Quando alguém faz uma promessa de rentabilidade a gente tem de desconfiar. Por sinal, é proibido prometer rentabilidade, afinal de contas retornos passados não são garantias de retornos futuros. Para fazer uma comparação, a taxa Selic está em 4,25% ao ano. E a bolsa (de valores) rende, na média, desde 1994, 14% ao ano. Quando a gente tem promessas de rentabilidade muito alta, ainda se tratando de ao mês ou até mesmo ao dia, muito provavelmente pode cair num golpe — avalia Adriano Severo, analista de investimentos e educador financeiro da Severo Educação Financeira.
A reportagem de GZH esteve na quarta-feira (7) no local onde a empresa operava, na Rua Presidente João Goulart, no bairro Morro do Espelho. Na fachada, havia uma placa com o nome de um salão de beleza e com número de telefone para contato. Mas não havia qualquer menção sobre funcionamento da corretora de valores. Ao apertar na campainha, ninguém atendeu. As janelas e portas estavam fechadas.
— Faz uns 20 dias que está fechado aí. Nos primeiros dias do fechamento, alguns carros paravam e as pessoas desciam para ver se tinha alguém na casa. Teve um dia que tinham 20 pessoas na frente — relatou um dos vizinhos que conversou com a reportagem.
Outra moradora da região disse que não sabia que existia uma empresa que se passava por corretora de valores no local.
— Ali funcionava um salão de belezas. Até onde sei, as pessoas iam ali para isso. Não era um movimento grande de entrada e saída. Mas pelos relatos que a gente ouve de quem aparece na frente, perderam muito dinheiro, né — disse a vizinha.
Ela conta que após o fechamento da empresa recebeu, por mensagem no celular, o cartão do responsável pela corretora, que trazia o nome, a conta dele no Instagram, e-mail e um celular para contato. Se identificando como "gestor financeiro digital", o cartão traz a seguinte frase: "Não basta desejar uma vida melhor, você deve criá-la".
Pelo nome do suspeito e da empresa, não há registro da Escolha Resultados Consultoria Financeira na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No site do Banco Central (BC), também não aparece. As corretoras de títulos são supervisionadas pelas duas instituições.
Além de ir até o local para tentar falar com o responsável pela empresa, GZH também telefonou para os números que seriam da empresa e deixou recado. Mas, até a publicação da matéria, não obteve retorno.
A delegada ainda avalia se o caso é de competência da Polícia Civil ou se precisará ser encaminhado para a Polícia Federal, a depender das suspeitas de crimes que surgirem.



