
Como estratégia para reduzir os assaltos com morte no Rio Grande do Sul as forças da segurança apostaram no combate ao roubo de veículos. E deu resultado. De janeiro a novembro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, 5 mil veículos a menos foram roubados no Estado (redução de 32%). Paralelo a isso, os latrocínios caíram 21% (de 83 para 65 casos). Por outro lado, segundo o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Rodrigo Mohr Picon, em Porto Alegre outro tipo de delito se mostra preocupante: o roubo a pedestre está por trás de metade dos 12 latrocínios de 2019.
— Em 2018, 54% dos latrocínios na Capital eram originados pelo roubo de veículo. Em 2019, 17%. Conseguimos reduzir o latrocínio, diminuindo o roubo de veículo. O vilão está sendo o assalto a pedestre com foco no celular —afirma o coronel Mohr.
Foi roubo a celular que motivou a morte de Vinicius Teixeira Dutra da Silva, 19 anos, na zona norte de Porto Alegre, no início de novembro. Ele e dois amigos haviam pedido um lanche e esperavam na frente da casa de um deles, quando dois ladrões teriam pego os celulares dos jovens. O militar foi atingido por um tiro no peito.
O roubo a pedestre também causou a morte de uma jovem, no bairro Cidade Baixa, na madrugada de 18 de novembro. Nathana Stephany Marques Gay, 23 anos, retornava de um bar com duas amigas, quando elas foram assaltadas. A jovem foi atingida por um tiro na cabeça enquanto tentava defender uma das amigas.
— Esse caso foi um exemplo de crueldade. Ele não precisava ter atirado nela. Optou por atirar. Isso demonstra o grau de violência desses criminosos — afirma o coronel Mohr.
Segundo o comandante, como forma de tentar combater este tipo de crime estão sendo realizadas ações integradas da Brigada Militar com outros órgãos — como Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico — com alvo nos estabelecimentos que vendem celulares receptados.
—É difícil combater o roubo a pedestre porque pode acontecer em qualquer lugar. Por isso, estamos atacando a receptação. Precisamos atacar o bolso do receptador — afirma o oficial.
Alguns casos na Capital
7 de dezembro - Cristian Pinheiro Conceição, 25 anos, foi esfaqueado e morreu na Praça Dom Feliciano, no Centro Histórico. Segundo a polícia, o jovem caminhava pelo local, ouvindo música pelo celular, quando foi atacado por dois criminosos. Após esfaquearem a vítima, eles fugiram a pé, com o celular.
18 de novembro — Nathana Stephany Marques Gay, 23 anos, voltava de um bar na Cidade Baixa, com duas amigas quando as três teriam sido abordadas por um ladrão, na Rua da República. Uma delas teria paralisado, e Nathana, que teria conseguido fugir, voltou para ajudá-la. Neste momento, teria sido atingida por tiro na cabeça. O caso é apurado pela 1ª Delegacia de Polícia.
2 de novembro— Soldado do Exército, Vinicius Teixeira Dutra da Silva, 19 anos, morreu após ser atingido por um tiro no peito em um assalto no bairro Costa e Silva. Ele e dois amigos haviam pedido um lanche e esperavam na frente da casa de um deles, quando dois ladrões teriam pego os celulares dos jovens. Um dos criminosos atirou no peito do militar. O caso é investigado pela Polícia Civil.
26 de março — O advogado Gabriel Pontes Fonseca Pinto, 28 anos, foi morto a tiros por um assaltante no bairro Cidade Baixa. O crime aconteceu na Rua General Lima e Silva, próximo à esquina com a Rua Alberto Torres. Luís Henrique Lopes Lima foi preso é réu pelo crime, mas nega ter sido o autor.



