Com extenso currículo no Exército, incluindo a segunda patente mais alta da corporação, o presidente da República em exercício, general Hamilton Mourão, foi enfático ao comentar a prisão de um militar da Aeronáutica em um avião da FAB no aeroporto de Sevilha, na manhã de terça-feira (25), suspeito de tráfico de drogas. Para Mourão, a situação não é inédita e está relacionada à promessa do dinheiro, que é "como o metal, ele corrompe".
— As Forças Armadas não estão imunes a esse flagelo da droga. Não é a primeira vez, seja na Marinha, Exército, Força Aérea. Agora a legislação vai cumprir o seu papel e esse elemento vai ser julgado por tráfico internacional drogas e vai ter uma punição bem pesada — afirmou o vice-presidente em entrevista ao Timeline Gaúcha.
A Guarda Civil espanhola informou que o homem transportava 39 quilos de cocaína na mala. Segundo Mourão, ele não estava na comitiva oficial do presidente Jair Bolsonaro — a caminho do G20 — como constavam nas primeiras informações sobre o caso. Ele era da tripulação que ficaria na Espanha para a troca de tripulações quando a aeronave do presidente fizesse a escala no país, antes de seguir para a cúpula dos líderes, no Japão.
Segundo um porta-voz da polícia local, o militar se apresentou a um tribunal nesta quarta-feira, acusado de cometer delito contra a saúde pública, uma categoria que inclui o tráfico de drogas na Espanha. O próprio Bolsonaro anunciou na terça à noite, nas redes sociais, "a apreensão, em Sevilha, de um militar da aeronáutica portanto entorpecentes". "Caso seja comprovado o envolvimento do militar nesse crime, o mesmo será julgado e condenado na forma da lei", afirmou o presidente.
Para Mourão, em Porto Alegre nesta quarta-feira (26) para a cerimônia de posse do novo presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), o próximo passo é tomar conhecimento de como o militar agia e investigar o envolvimento de outras pessoas com o caso:
— O mais importante é ver as conexões que ele poderia ter, porque uma atitude desta natureza não brotou da cabeça dele — avaliou.


