
A interrupção das aulas tem se mostrado um dos maiores complicadores durante a pandemia. Enquanto alguns pais alegam necessidade de retorno das escolas para os pequenos, no caso da Educação Infantil, outros discordam e se engajam para que a retomada não aconteça. Preocupados com a saúde das crianças, professores e funcionários, parte dos pais de Caxias do Sul adere a um abaixo-assinado. O município conta com apoio de cerca de 4,7 mil assinaturas de um total de 96.285 em todo o estado até a manhã desta quarta-feira (19).
Uma das criadoras do movimento ‘Não a volta às aulas durante a pandemia’, Kelli Bernardi, afirmou, em entrevista à rádio Gaúcha Serra nesta quarta-feira, que a tendência é de que os pais ingressem na Justiça por meio do Ministério Público, caso o governo do estado e o município, confirmem um calendário pré-divulgado de início da Educação Infantil no próximo dia 31.
— Nossa preocupação se dá pelas professoras e alguns pais, que por mais que tenham a necessidade de levar os filhos, têm receio de não levar e perder a vaga. Não julgamos os pais que precisam, entendemos. No entanto, há os que levariam por medo. Muitos estão vinculados a vagas compradas pela prefeitura — diz.
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A posição do governo do estado é de que a volta seria facultativa aos pais. Mesmo assim, a decisão acarreta em outra discussão, conforme o movimento.
— Temos as profes, os funcionários, as merendeiras. Por mais que tenham medo de perder os empregos, eles têm receio de que uma criança passe mal. E a reação dos pais? Quem eles irão culpar? — questiona.
Conforme Kelli, há relatos que chegam ao movimento de que não será possível cumprir os protocolos exigidos.
— Como manter distanciamento das crianças? É algo bem delicado. É uma questão de saúde comunitária, numa pandemia o que o outro faz interfere diretamente na nossa vida — ressalta.
Auxílio – De acordo com Kelli, a volta às aulas poderia aguardar mais. Uma das alternativas para preservar as escolas infantis seria contar com apoio do governo e iniciativas empresariais.
— Não tem que ter uma guerra entre pais e escolas! Temos que lutar juntos para que o governo dê subsídios para que se mantenham. De repente algumas empresas maiores podem ajudar na manutenção e o governo descontar impostos dessas empresas — salienta.
A página do movimento pode ser acessada neste link.



