
Já dizia um famoso cientista que a mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original. Em 2009, a fotógrafa Lisette Guerra, após 20 anos como fotógrafa de moda, decidiu abraçar esta experiência. Depois de uma viagem a Cuba, naquele mesmo ano, percebendo toda a beleza, cor e humanidade que o lugar oferecia, Lisette decidiu retratar através de suas lentes a história do país insular pelo seu lado mais belo. É dessa experiência através do desconhecido que resulta a exposição Cuba, que abre hoje à noite na Galeria de Arte Gerd Bornheim, em Caxias. Nela, mais de 50 trabalhos fotográficos serão expostos, cada um trazendo a cor, o charme e a beleza cubana até os olhos dos espectadores.
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O trabalho iniciado em 2009 estendeu-se por seis viagens em quatro anos e culminou no celebrado livro Cuba, vencedor do 10º Prêmio Gaúcho de Excelência Gráfica da Abigraf. Na obra, Lisette fala das experiências e do olhar transformador que Cuba lhe proporcionou.
– A primeira grande transformação foi a do meu trabalho. Estava acostumada a fazer trabalhos de moda, com modelos, etc. Quando fui pra lá, mudei a minha visão. Eu quis mostrar como Cuba é de verdade, bela como é. Tem pessoas que dizem que só mostro coisas bonitas, mas lá tem coisas bonitas. Tem pessoas maravilhosas, o povo é maravilhoso. Eu quis mostrar o belo, as cores, a musicalidade. E pra mim foi uma experiência totalmente diferente. E isso te muda. Viver dentro da casa das famílias, ver como realmente é a vida daquelas pessoas. É uma experiência essencial – afirma.

A fotógrafa explica que além das cores vivas e dos sorrisos largos, seu trabalho também traz elementos simbólicos, como a presença de grades em todos os lugares, retratando a beleza sem deixar de lado a realidade e o factual que fazem parte da história do país:
– Por que eu vou só mostrar a desgraça? A gente vê a pobreza, ela existe, está lá. Mas por que vou mostrar só o lado triste, que todo mundo já viu? Meu trabalho já incomodou muita gente. Quando eu postava as fotos, as pessoas insistiam: por que tu não mostras o outro lado? Muitos estrangeiros vão pra lá agora e compram casas em Cuba, moram um pouco aqui um pouco lá. Quem vai, enxerga como é diferente. O povo é humano, tem música o tempo todo na rua, você está sempre feliz. Com o meu olhar eu tirei a beleza das pessoas, ninguém era modelo, mas nas fotos aparentam. É um povo alegre, muito bonito.

Através de carros antigos, do balé de rua das crianças, das escolas dentro das casas, das academias ao ar livre, dos charutos e, principalmente, das pessoas, a exposição nos convida a um passeio em busca do outro em raízes que, por vezes, não estão tão distantes. O jeito alegre e a força de um povo que, apesar das adversidades, suporta o cotidiano com felicidade, lembra, em diversas vezes, os brasileiros, levando o observador a abrir a mente a novos horizontes.
AGENDE-SE
O quê: exposição Cuba, de Lisette Guerra.
Onde: Galeria de Arte Gerd Bornheim (Dr. Montaury, 1333)
Quando: hoje, às 19h. Exposição segue até 29 de julho.
Quanto: entrada gratuita.
MAIS
Em 2013, Lisette Guerra lançou o livro Cuba (300 pg, R$ 100), no qual apresenta os trabalhos fotográficos realizados no país
