
Após atingir recorde com a quinta alta seguida e alcançar R$ 4,35 ao fim da quarta-feira (12), o dólar comercial segue alto, embora tenha caído um pouco. Ao fim da manhã desta quinta (13), estava na casa dos R$ 4,33. Em consulta a algumas casas de câmbio em Caxias do Sul pela manhã, a reportagem não encontrou nenhuma que vendesse dólares a menos de R$ 4,50; a média por volta das 10h30min estava na casa de R$ 4,57. Já para os clientes venderem dólares para as agências, a média ficava em R$ 4,21.
O patamar mais alto da moeda norte-americana tem impactos diferentes para cada tipo de atividade econômica. Por isso, a economista e professora Maria Carolina Gullo explica que não há como dizer que a situação seja positiva ou negativa de um modo geral.
— Está mais para ambíguo. É complicado dizer se é problemático ou bom — comenta.
Entre as atividades que são beneficiadas na economia da região com o dólar alto, estão todas as de exportação, incluindo indústrias de móveis, ônibus e autopeças, e produtores de carne suína e aves. De modo geral, os produtores rurais, incluindo os pecuaristas, não têm necessariamente um aumento no faturamento, conforme Maria Carolina, mas sim a perspectiva de uma garantia de demanda, considerando a tendência de os frigoríficos para os quais fornecem conseguirem novos mercados no exterior.
Já entre as atividades prejudicadas estão as que dependem de matéria-prima e bens importados. Isso inclui indústrias dos próprios setores moveleiro e metal-mecânico.
— Em muitos casos, uma mesma indústria pode ser beneficiada na exportação e, ao mesmo tempo, ficar prejudicada na importação de matéria-prima. Uma outra questão é a de indústrias que estão se modernizando e precisam comprar máquinas e equipamentos que não são encontrados no Brasil, o que dificulta o investimento em tecnologia — comenta.
O dólar mais alto também pode impactar no preço do pão e de todos os produtos que têm a farinha de trigo como matéria-prima, a exemplo de massas e biscoitos, já que o Brasil depende de trigo importado. Os combustíveis também podem ter reflexo porque as refinarias brasileiras não atendem toda a demanda.
Por outro lado, o turismo nacional tende a se beneficiar do dólar mais caro porque os destinos brasileiros ficam mais atrativos do que ir ao exterior.
— O turismo interno tende a se beneficiar com o dólar nessa altura. Quando está um pouco mais baixo, às vezes sai mais em conta ir a um destino estrangeiro, como Cancún, do que ir ao Nordeste, porque as taxas aqui são muito altas. No entanto, com o dólar neste valor, o turismo nacional se beneficia — avalia.



