Criador do Encontro do Bandoneon de Passo Fundo, Plínio Mena Barreto do Amaral, conhecido como Tio Mena, será homenageado no evento que, a partir desta sexta-feira (8), passa a levar seu nome em Passo Fundo.
A data foi escolhida para comemorar o aniversário de 99 anos do homem que ganhou fama ao popularizar canções folclóricas e nativistas do Rio Grande do Sul através do bandoneon, instrumento parecido, mas com timbres diferentes, da gaita. Foi por causa de Tio Mena que Passo Fundo se tornou a Capital Estadual do Bandoneon, em 2013.
Natural do interior de Lagoa Vermelha, Tio Mena aprendeu a tocar bandoneon sozinho, aos 16 anos. Mas foi só na década de 1960 que ele começou a usar a melodia do bandoneon para tocar sua música nos Centros de Tradição Gaúcha (CTGs). Dali para frente, cantou em diversos festivais até criar o seu próprio, o Encontro do Bandoneon, que chega à 18ª edição nesta sexta-feira, em Passo Fundo.
Agora, o encontro passa a ter um novo nome: “Festival Tio Mena de Bandoneon”, para homenagear o artista pela iniciativa.
Mesmo com a idade avançada, Tio Mena ainda toca seu bandoneon e vai apresentar três músicas no evento, que é aberto à comunidade (veja o serviço abaixo). Em homenagem aos seus 99 anos, GZH entrevistou o bandoneonista e relembrou sua história, a chegada em Passo Fundo e a criação do Festival. Confira.

GZH: com que idade despertou o gosto pelo bandoneon?
Tio Mena: comecei aos 16 anos, quando morava em Capão Bonito do Sul, na época, distrito de Lagoa Vermelha. Um pedreiro do pai apareceu na nossa casa e, por problemas financeiros, oferecia o instrumento.
Insisti muito para que meu pai comprasse. Lembro que, na época, compramos por 900 cruzeiros, que era equivalente a duas cabeças de boi, e ainda sobrava dinheiro. Antes, eu tocava gaita. Mas (o bandaneon) é completamente diferente. Aprendi tudo sozinho, de ouvido.
GZH: e como foi até começar a tocar músicas tradicionalistas?

Tio Mena: comecei na noite, quando me mudei para as cidades do noroeste Santo Ângelo e Catuípe. Montamos um conjunto e tocávamos em bailes e festas. A música tradicionalista só aparece quando vim para Passo Fundo, há 60 anos.
Comecei a tocar em CTGs e, a partir daí, veio o gosto pelas músicas nativistas. Participei de festivais na Argentina, Uruguai, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Minas Gerais. Fui campeão do Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart) seis vezes.
GZH: de onde surgiu a ideia de fazer o Festival de Bandoneon em Passo Fundo?
Tio Mena: a ideia começou quando fui em um evento em Santa Cruz do Sul e decidi que ia organizar meu próprio festival. Mas começou muito pequeno. Pedíamos patrocínio nas lojas e apoio da prefeitura para garantir a estadia dos músicos visitantes. Com o passar do tempo o evento foi engrandecendo, a prefeitura assumiu a organização e nós apenas ajudamos a manter.
GZH: como se sente vendo o evento se tornar um festival e levar o seu nome?
Tio Mena: eu fico realizado e muito feliz. Principalmente de ver que o evento não morreu, não deixaram a nossa ideia morrer. Eu até tinha parado de tocar há um tempo, ali durante a pandemia, mas agora voltei e quero me apresentar, vou levar umas três músicas.
Serviço
- O que: 18º Festival de Bandoneon de Passo Fundo
- Quando: sexta-feira, 8 de dezembro
- Onde: Pallazo Centro de Eventos (Dr. Gelson Ribeiro, 440 — bairro Vera Cruz)
- Horário: a partir das 19h
- Ingressos: entrada gratuita




