
O Hamas entregou a Israel os corpos de quatro reféns, com idades entre 49 e 85 anos, na manhã desta quinta-feira (27). Eles integram a última troca da primeira fase do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, em que o governo israelense também libertou mais de 600 prisioneiros palestinos.
Os quatro reféns haviam sido capturados na ofensiva do Hamas contra o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.
O gabinete de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, confirmou a recepção dos caixões de “quatro reféns caídos” e disse ter iniciado o processo de identificação dos seus restos mortais. Mesmo assim, a imprensa local e o Hamas revelaram quem são esses reféns.
Saiba quem são os quatro reféns
Ohad Yahalomi, 49 anos
Ohad Yahalomi, 49 anos, foi sequestrado em sua casa, no kibutz Nir Oz. Seu filho Eitan, de 12 anos, foi capturado separadamente, mas libertado em 27 de novembro de 2023, na primeira trégua.
Segundo o relato de sua mulher, Bat-Sheva Yahalomi, toda a família tentou se esconder na câmara segura de sua casa. No entanto, a porta não fechava e Yahalomi se posicionou diante dela com uma pistola. Ele ficou ferido em uma troca de tiros e foi raptado.
Sequestrados separadamente, Bat-Sheva e seus três filhos tentaram escapar, mas só a mãe e as duas irmãs de Eitan conseguiram.
Um grupo aliado do Hamas havia anunciado em janeiro de 2024 a morte de Ohad Yahalomi, mas a informação nunca foi confirmada pelo Exército israelense. Presumia-se que ele estava vivo até esta quarta-feira.
Amante da natureza e dos grandes espaços, Yahalomi trabalhava para a autoridade de parques naturais. Era especialista em escorpiões, sobre os quais escreveu um livro.
O homem tem origem francesa, mas vivia em Israel. Presidente da França, Emmanuel Macron publicou uma homenagem a Yahalomi no X (antigo Twitter) nesta quinta.
"A França perdeu 50 dos seus filhos na infâmia de 7 de outubro", escreveu.
Tsachi Idan, 49 anos
Tsachi Idan foi levado para Gaza com as mãos manchadas com o sangue de sua filha Maayan, de 18 anos, assassinada diante de seus olhos. Na manhã de 7 de outubro, o engenheiro, que vivia na comunidade agrícola de Nahal Oz se refugiou com sua esposa, Gali Idan, e três de seus filhos em sua câmara segura.
Ele tentou proteger com seu próprio corpo sua filha mais velha, Maayan, que acabara de comemorar aniversário. Mas as balas dos atiradores atravessaram a porta e a mataram. O ataque foi transmitido ao vivo pelo Hamas no Facebook.
Quando sua filha morreu, Tsachi Idan permitiu que a porta fosse aberta. Os militantes islamistas o sequestraram e disseram à sua família: "Ele vai voltar, vai voltar".
— Amo você. Não brinque de ser herói, seja inteligente. Cuide-se e volte inteiro — afirmou sua esposa enquanto o levavam.
Como no caso de Yahalomi, as autoridades consideravam até esta quarta que Idan seguia vivo.

Itzik Elgarat, 68 anos
O israelense-dinamarquês Itzik Elgarat foi ferido na mão durante o ataque ao kibutz Nir Oz antes de seu sequestro, explicou à imprensa dinamarquesa seu irmão Daniel Elgarat, a última pessoa que esteve em contato com ele.
Quando a conexão foi interrompida, Daniel tentou encontrar seu irmão com a geolocalização de seu telefone e se deu conta de que o aparelho havia cruzado a fronteira de Gaza.
Também se considerava até a quarta que o refém continuava vivo. Itzik Elgarat viveu por 12 anos na Dinamarca, onde residem seus dois filhos, os quais havia visitado pouco antes do ataque.
O sexagenário era um torcedor fervoroso do Maccabi Tel Aviv, equipe de futebol local.
Shlomo Mantzur, 86 anos

Nascido no Iraque, Shlomo Mantzur cuidou durante muito tempo do galinheiro do kibutz de Kissufim, uma comunidade agrícola do qual foi um dos fundadores.
Foi nessa local que foi sequestrado em 7 de outubro de 2023. Sua mulher Mazal, com quem vivia há 60 anos, se negou a fugir diante do ataque. Mantzur morreu neste mesmo dia, anunciou Israel, e seu corpo foi levado para a Faixa de Gaza.
Habilidoso com as mãos, o octogenário e pai de cinco filhos amava jardinagem e consertar os brinquedos de seus netos.
Com a confirmação da morte, o kibutz de Kissufim emitiu um comunicado em que definiu Mantzur como o "coração vivo de Kissufim".
"Este é um dos dias mais difíceis na história do nosso kibutz. Shlomo era muito mais que um membro da comunidade para nós, era um pai, um avô, um verdadeiro amigo e o coração vivo de Kissufim", diz a nota de pesar.