Economia

Matriz energética
Notícia

Capacidade de geração de energia solar cresce 16,73% no RS em 2024

Para os próximos meses, tendência é de desaceleração diante de fatores como dólar e juro em alta, aumento do imposto de importação e limitação causada por regulamentação. No entanto, uso de sistemas com bateria deve crescer

Anderson Aires

Enviar email
André Ávila / Agencia RBS
Setor de energia solar convive com cenário mais desafiador no país e no Estado neste ano.

Mesmo com desafios impostos por desastres climáticos e regulamentação, o Rio Grande do Sul segue expandindo a capacidade de gerar energia solar. Em 2024, a potência instalada do setor ultrapassou a casa dos 3 mil megawatts (MW) e avançou 16,73% ante o fim de 2023. Apesar da expansão, o ramo mostra sinais de perda de ritmo diante de acomodação após pico na busca por benefícios em um passado recente.

Para 2025, a tendência ainda é de desaceleração diante de alguns fatores como dólar e juro em alta, aumento do imposto de importação e limitação na liberação de novos pedidos. No entanto, também existe espaço para crescimento no uso de sistemas com baterias, segundo especialista.

Até o dia 10 de dezembro de 2024, a potência instalada da energia solar no Rio Grande do Sul estava em 3.117 MW. No fim de 2023, o Estado concentrava 2.670,2 MW, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). A potência instalada mostra a capacidade que o sistema tem de gerar energia e entregar aos usuários ligados à rede.

O número de unidades consumidoras (UCs) recebendo créditos também apresentou alta. Até dezembro de 2024, o Estado tinha 448.851 UCs. Um ano antes, eram 396.839 UCS. Ou seja, avanço de 13,11%. No modelo de sistema de geração distribuída fotovoltaica, a sobra da energia gerada pela unidade vira créditos de energia solar, que podem ser utilizados pelo consumidor para abater o valor da conta de luz.

A coordenadora estadual da Absolar no Estado e sócia da Solled Energia, Mara Schwengber, afirma que o setor caminha para uma normalização na expansão após o pico observado em 2022. Naquele ano, teve uma explosão na busca por sistemas solares para garantir menos taxação às vésperas de mudança na lei.

A gente está vivendo hoje um período diferente. Depois de todo aquele ponto do crescimento, estamos em um crescimento mais estável.

MARA SCHWENGBER

Coordenadora estadual da Absolar no Estado

Sobre o impacto da inundação no setor, Mara afirma que é difícil ter um dado mais preciso sobre os estragos, mas afirma que diversas usinas foram afetadas pelo aguaceiro de maio. 

Gargalos para 2025

Para 2025, o setor de energia solar convive com cenário mais desafiador no país e no Estado. Como boa parte dos produtos usados pelo ramo são importados, dólar estacionado na casa dos R$ 6 e aumento na taxa de importação de painéis solares alteram a cadeia de custos e respinga sobre os preços finais.

— Já começou a aumentar. O dólar subiu, as primeiras importações com imposto já chegaram, então, já se começa a perceber um aumento de preços neste ano. Mas não vai voltar aos patamares de valor que a gente já teve no passado. A gente deve ainda ficar muito distante disso, porque o custo do produto baixou muito — diz Mara.

Outro entrave para a expansão maior da energia solar está no âmbito da regulamentação. As normas federais que tratam sobre a inversão de fluxo determinam que áreas não podem gerar mais energia do que consomem. Essa limitação segue travando novos empreendimentos, segundo a coordenadora da Absolar.

Aline Pan, professora do curso de Engenharia de Gestão de Energia da UFRGS, também cita que a trava gerada pela inversão de fluxo deve ser o maior freio para o setor. Segundo a docente, esse problema afeta todos os portes de consumidores, mas acaba penalizando mais os que tem menos estrutura. 

A gente está com bastante dificuldade em todos os projetos, mas os grandes (empreendimentos) têm fôlego, tem pulmão para aguentar os problemas, enquanto que os pequenos não. Então, acaba inviabilizando toda a situação.

ALINE PAN

Professora do curso de Engenharia de Gestão de Energia da UFRGS

A coordenadora da Absolar afirma que, mesmo com todos esses desafios, o setor deve seguir avançando em 2025, mesmo que em ritmo menor ante anos anteriores.

Baterias devem puxar avanço

Mesmo com a perda de ritmo esperada para 2025, a coordenadora da Absolar projeta que os sistemas híbridos, com uso de baterias, devem puxar o avanço do setor. Mara afirma que os custos para instalar esse tipo de tecnologia estão menores na comparação com um passado recente, abrindo espaço para os usuários melhorarem o retorno do investimento:

— Hoje, por exemplo, o sistema híbrido com bateria para uma residência, um inversor mais um módulo de bateria que vai atender a cargas primárias, não toda casa, mas vai atender as principais cargas, a gente fala num payback (retorno do investimento) igual era lá em 2022, 2023, sem bateria. Então, com a redução do preço das baterias e dos equipamentos de energia solar, a gente consegue hoje uma viabilidade econômica desses projetos.

Já a professora Aline Pan entende que os preços das baterias ainda seguem elevados, o que torna essa alternativa uma solução mais viável para clientes com maior poder aquisitivo e que precisam proteger o sistema. 

Oportunidade de emprego

A coordenadora da Absolar afirma que muitas empresas que trabalhavam com a instalação de sistemas de energia solar fecharam nos últimos anos após a explosão de adesão em 2022. Agora, com a tendência de alta no uso de sistemas híbridos, existe espaço para profissionais mais especializados: 

— Quando a gente fala em sistemas híbridos, precisa ter um conhecimento técnico maior, tanto de engenharia, como de instalação, porque vai mexer na parte elétrica da casa, da empresa. Não é como o sistema solar, que é basicamente instalado e conectado. Então isso também exige mais mão de obra especializada, exige que os profissionais também dominem essas novas tecnologia.

GZH faz parte do The Trust Project
Saiba Mais
RBS BRAND STUDIO

Futebol da Gaúcha

20:45 - 23:30