
Parte dos acessos asfálticos anunciados pelo governador Eduardo Leite para 2021 e 2022 integravam o programa lançado pelo então governador Antônio Britto em 1998, com ordem de início para obras que não saíram do papel. Britto não se reelegeu e, hoje, alguns desses acessos terão de começar do zero, porque os projetos estão defasados.
O secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, lembra das estacas brancas fincadas em dezenas de municípios do interior, que não passaram de promessa. Em 1994, o Rio Grande do Sul tinha 153 municípios sem acesso por asfalto. De lá para cá, cada governador fez um pouquinho ou recomeçou a obra sem concluir. Em 2019, quando Leite assumiu, ainda restavam 62. O pacote lançado na quarta-feira (9) prevê a entrega de cinco em 2021, 18 em 2022 e mais cinco depois de 2022. Para os restantes, o governo se compromete apenas com a elaboração do projeto.
Um desses que ficarão só com o projeto é o acesso a Lagoão, um dos casos mais emblemáticos de obra encruada. O ex-deputado e ex-prefeito de Sobradinho Lademiro Dors acompanha a novela desde os anos 1990.
— Pasme. No mínimo cinco Governadores prometeram a realização do asfalto e nada fizeram a não ser enganar a população daquele município. Chegaram a levar máquinas e equipamentos, deram por iniciada a obra e repentinamente as retiraram — desabafa Dors.
Costella está entusiasmado com a missão de tocar, nos meses que lhe restam à frente da Secretaria dos Transportes (ele deve deixar o cargo em 2 de abril de 2022), um programa tão ambicioso de obras e garante que a lista foi elaborada de forma realista, para não repetir a sina de começar e não terminar.
Nesta quinta-feira (10), Costella inspecionou estradas que serão recuperadas dentro do plano. Entre elas, a RS-813, entre Garibaldi e Farroupilha, em que o asfalto está repleto de crateras.





