Além da pura e simples falta de dólares na Argentina para pagar importações do Brasil - e de outros países -, uma das justificativas para o plano de financiar as compras dos hermanos é a ameaça de "invasão chinesa".
Para saber se é um fantasma ou tem contornos definidos, a coluna foi verificar os dados do comércio exterior argentino. A primeira constatação é de que, se o Brasil mantém a posição de principal comprador do vizinho (14,3% do total), já não é mais o maior vendedor, substituído pela China, com mais peso (21,5% do total) .
Essa ultrapassagem, afirmou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, tem explicação no mecanismo de financiamento de médio e longo prazo garantido pela China. O ministro Fernando Haddad foi mais sutil, mas afirmou:
— Quem está dando crédito de médio e longo prazo para a Argentina está levando o mercado que seria naturalmente de produtos manufaturados brasileiros.
Também fica nítido que, mantido o atual ritmo, os chineses vão passar o Brasil rapidinho também como maiores exportadores para Argentina. Enquanto as vendas nacionais cresceram 7,6% no ano passado, as da China saltaram 27,4%. N
Nesta quarta-feira (25), a potência asiática também é protagonista da reunião bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o colega uruguaio Luis Lacalle Pou, que ameaça fechar um acordo de livre comércio com o chineses fora do Mercosul se não receber "proposta melhor" dos sócios latinos.
Ao deslocar um pouco o foco da briga entre Brasil e China pelos primeiros lugares, aparece outro competidor em alta velocidade: os Estados Unidos. No ano passado, os americanos aumentaram suas compras em 33,5% e suas vendas em impressionantes 74,4% para a Argentina. Como se sabe, comércio exterior também é instrumento de política externa. E fantasmas não existem.



