
Jair Eich fez sua formação no futebol amador no Vale do Rio Pardo. Há 15 anos, assumiu o Avenida e fez do clube um dos mais organizados e saudáveis do Interior. Campeão da Copinha e semifinalista do Gauchão 2018, o Avenida vive uma temporada de luxo. A semana é de time de ponta, com acúmulo de três jogos decisivos: Grêmio, na decisão da Recopa Gaúcha; Guarani-SP, pela Copa do Brasil, e São Luiz, em Ijuí, pelo Gauchão.
Mas para por aí, diz Jair. Porque, ao contrário da Dupla, ele não tem dois times para se dar ao luxo de usar reservas. Aliás, nem gosta de tocar muito no assunto:
— Vamos com o melhor time possível. Não sei de onde saiu esse negócio de time reserva, até porque o Avenida nem tem — afirma.
Por telefone, nesta quinta-feira (7), Eich conversou com a coluna e, mais do que explicar a história do Avenida B, deu uma radiografia do heroísmo que é fazer futebol no Interior. Confira.
O Avenida virá com reservas na Arena?
É chover no molhado eu dizer que uma equipe não pode jogar quarta e domingo. O Renato (Portaluppi) disse isso o ano todo em 2018, que o time dele não podia atuar duas vezes por semana. Imagina o nosso caso aqui. Temos um grupo de 22 jogadores e jogamos contra o Grêmio, domingo (10); o Guarani-SP, na quarta (13); e depois a decisão com o São Luiz, que pode encaminhar nossa vida no Gauchão. A nossa meta aqui é o Estadual. Não sei o que ele (técnico Fabiano Daitx) vai fazer. Se fosse o técnico, entre as três partidas, eu, no mínimo, preservaria (contra o Grêmio) quem tivesse com dois amarelos ou com algum desconforto.
Mesmo sendo a final da Recopa?
A vida do Avenida não é jogar contra o Grêmio. O titular do Avenida só ganha do sub-23 do Grêmio, com algumas condições, como fez na Copinha e no amistoso na pré-temporada. Na lógica da bola, é jogar para não ser goleado na Arena. Claro que título sempre é título. Não há orientação da diretoria (para usar reservas). Vamos com o melhor time possível. Não sei de onde saiu esse negócio de time reserva, até porque o Avenida nem tem (time reserva). O grupo é pequeno, temos 18, 19 jogadores que vêm atuando. Não temos essa coisa de titular absoluto, um ou outro tem tido aproveitamento maior. Não queria que fosse ventilado isso (de time reserva). Até parece que o Avenida tem condições de ir para a Arena com time reserva. O que buscamos é equilíbrio para essa semana.
O quanto vale passar pelo Guarani e embolsar mais R$ 500 mil?
Isso paga a minha participação na Série D. Faria com que o presidente não precisasse fazer rifa no segundo semestre. É uma figura, mas a gente aqui tem de passar o chapéu para a vida seguir. Estou há 15 anos no cargo. Levamos o clube na base da parceria. Pela primeira vez, conseguimos um número pequeno, mas satisfatório, de sócios. As conquistas e a campanha de 2018 motivaram nossa torcida. Mas estamos longe de nos tornarmos sustentáveis.
Quantos sócios o Avenida tem hoje?
Agora, chegamos a 500 sócios. Falo de 500 sócios e estou feliz. Quando assumi, entre sócios e conselheiros, não tinha 100. Esse momento é ímpar na história do clube. Acreditamos que podemos fazer um bom ano e bater em mil sócios.
Quanto o quadro social rende ao clube?
A mensalidade é R$ 35, mas temos uma empresa que administra essa plataforma e fica com uma parte. Sobra, para o Avenida, cerca de R$ 30. Por mês, isso dá R$ 15 mil. Se estiverem todos adimplentes, claro. É uma receita, hoje, que mantém a secretaria aberta. Não é a partir do quadro social que projetamos o futebol do clube.
Quanto custaria jogar a Série D? Se passar pelo Guarani, a Copa do Brasil já coloca R$ 1 milhão em seu caixa.
A venda de ingressos e o sucesso contra o Guarani podem nos ensejar um pouco mais (de tranquilidade). Não tem como fugir muito de R$ 800 mil a R$ 1 milhão o gasto para jogar a Série D. Isso inclui salário, premiação, concentração. A CBF paga hotel, alimentação e transporte nos jogos. Por isso, se passar pelo Guarani, estarei no paraíso.
Qual a folha salarial do Avenida?
No total, incluindo comissão técnica e jogadores, varia entre R$ 180 mil e R$ 200 mil. Projetamos mais ou menos isso para fazer uma Série D com chances de brigar pelo acesso. Mas tudo depende, como sempre, do campo.



