
A maioria dos produtores rurais brasileiros utiliza ou pretende adotar algum tipo de tecnologia de agricultura de precisão, a realização de compras online para as fazendas é cada vez mais frequente e as certificações que atestam a adoção de práticas sustentáveis nas propriedades vêm ganhando relevância na hora de atender às exigências dos compradores.
Essas são algumas das principais conclusões extraídas do estudo "A mente do agricultor brasileiro na era digital", realizado pela consultoria McKinsey & Company. O estudo "A mente do agricultor brasileiro na era digital" será o tema central de edição do webinar RBS Talks no dia 6 de outubro. O estudo verificou, por exemplo, que o alcance digital é maior no Brasil do que nos Estados Unidos. Ao todo, 36% dos agricultores brasileiros fazem compras online para a fazenda, enquanto apenas 24% dos norte-americanos fazem o mesmo.
Para traçar um perfil do produtor brasileiro e verificar o alcance e os impactos da tecnologia no dia a dia do campo, em itens como investimentos, sustentabilidade e estratégias de preparação e comercialização das safras, a consultoria ouviu em torno de 750 produtores em 11 Estados. Eles representam cinco tipos de cultivos, que respondem por 80% da área plantada no país. Do Rio Grande do Sul, participaram produtores de grãos. As entrevistas foram realizadas em janeiro, ainda antes de a pandemia de coronavírus avançar no Brasil.
De acordo com o levantamento, 71% dos agricultores utilizam canais digitais diariamente para tratar de questões relacionadas à fazenda. Ao todo, 36% costumam realizar compras online para a fazenda, percentual superior ao dos agricultores norte-americanos (24%). Paralelamente, 53% dizem adotar ou pretendem implementar pelo menos uma tecnologia de agricultura de precisão. A aplicação de insumos em taxa variável (VRA) e os drones são as tecnologias mais adotadas pelos produtores atualmente.
O sócio sênior da McKinsey, Nelson Ferreira, destaca que as propriedades brasileiras passam por transformação, na esteira dos processos de sucessão entre gerações no comando dos estabelecimentos rurais. A entrada de gestores mais jovens nos negócios é um dos fatores que estimula a digitalização da atividade.
— Há um grande apetite por digitalização, como um todo. Está entrando (na gestão das propriedades) uma geração mais nova, mais sofisticada e mais demandante por tecnologia — constata Ferreira.
Na Região Sul, no entanto, o processo de digitalização ocorre de maneira mais lenta se comparado com o resto do país.
— O agricultor do Sul tem uma média de idade maior e um perfil mais conservador. Isso faz com que o nível de digitalização se manifeste de um jeito diferente. A região é a que menos usa internet para fazer gestão da propriedade — complementa Sergio Canova, sócio e líder do escritório da McKinsey na Região Sul.
Neste contexto, apesar do avanço da tecnologia nos últimos anos, três elementos são vistos como gargalos a serem superados para aumentar a digitalização das propriedades: infraestrutura digital, segurança digital e experiência do usuário. Somente 23% dos produtores têm acesso à internet em toda a fazenda e outros 40% apontaram que teriam maior envolvimento com canais digitais, se se sentissem mais seguros nas plataformas online.
O levantamento ainda mostra que o produtor brasileiro está mais atento às questões ligadas à sustentabilidade. Na pesquisa, 45% indicaram que já precisam de certificações para atender exigências de seus compradores e 29% dizem esperar que um novo padrão seja exigido nos próximos 12 meses.
Para Ferreira, muitas das tendências verificadas no estudo estão se intensificando nos últimos meses, por causa da pandemia. Neste sentido, processos como a compra de produtos e serviços online ganharam espaço e tendem a se fortalecer ainda mais.
RBS Talks debate a pesquisa
O estudo "A mente do agricultor brasileiro na era digital" será analisado no webinar RBS Talks a ser realizada no dia 6 de outubro, a partir das 8h30min. No seminário virtual, o sócio sênior da McKinsey & Company, Nelson Ferreira, e o sócio e líder do escritório da McKinsey na Região Sul, Sergio Canova, apresentarão os principais resultados do levantamento.
Além disso, o evento contará com um painel de debates com a participação do diretor do gerente de relações com investidores da SLC Agrícola, Frederico Logemann, do presidente da Cotrijal, Nei Manica, e do pesquisador da Embrapa Edson Bolfe.
Em formato de live, o webinar terá mediação da jornalista especializada em agronegócio e titular da coluna Campo e Lavoura em Zero Hora e GZH, Gisele Loeblein. A transmissão será aberta ao público, que poderá enviar perguntas aos debatedores por meio do chat da plataforma. Para receber o link e assistir ao evento, basta realizar a inscrição no formulário disponível no site https://pt.surveymonkey.com/r/7QWT3QN.
Principais conclusões
Inovação e tecnologia

- 53% dos agricultores usam ou pretendem usar pelo menos um tipo de tecnologia de agricultura de precisão. Esse movimento é puxado pelos produtores com cultivos de larga escala e os agricultores mais jovens
- Atualmente, aplicação em taxa variável (VRA) e drones são as tecnologias mais adotadas, enquanto há disposição para a adoção de sensoriamento remoto, telemetria e internet das coisas (IoT)
Integração digital
- Entre os agricultores pesquisados, 71% usam canais digitais diariamente para questões relacionadas à fazenda e à busca de informações
- O alcance digital é maior no Brasil do que nos Estados Unidos. Ao todo, 36% dos agricultores brasileiros fazem compras online para a fazenda, enquanto apenas 24% dos norte-americanos fazem o mesmo
- Apenas 23% dos agricultores brasileiros têm acesso à internet em toda a operação agrícola
- 40% disseram que aumentariam o envolvimento por meio de canais digitais se houvesse maior segurança nas plataformas online
Planejamento de safra
- 50% dos agricultores são influenciados por familiares, amigos e agricultores vizinhos em decisões de investimento
- 28% dos agricultores desejam crescer por meio da expansão das terras cultiváveis, enquanto 16% apontaram que pretendem avançar a partir de ganhos de produtividade
- 40% dos agricultores investem os lucros da lavoura em novo maquinário ou em tecnologias relacionadas
Financiamento e gestão de riscos
- Ao todo, 36% dos agricultores realizam transações de barter (pagamento pelos insumos por meio da entrega de grãos após a colheita)
- A penetração do seguro agrícola chega a 43% dos produtores entrevistados na pesquisa
Aquisição de insumos
- A nova geração de agricultores é guiada por preços e menos fiel às marcas _ 30% consideram qualidade como o principal atributo para compra de insumos, depois do preço
- 26% dos agricultores pesquisados compram sempre das mesmas marcas, enquanto 43% costumam experimentar novas marcas de insumos em busca de maior produtividade
Aquisição de maquinário
- 56% dos agricultores pesquisados consideram os custos de compra, manutenção e operacionais como a principal fator de decisão para comprar maquinário. Para esse tipo de investimento, os produtores estão negociando cada vez mais com os vendedores de máquinas por WhatsApp, mas os negócios ainda são fechados, na maioria das vezes, pessoalmente
Comercialização
- A comercialização da produção agrícola está concentrada em poucos compradores. 74% dos entrevistados no levantamento vendem para até três compradores
- Um em cada três agricultores considera vender parte da sua produção online
Sustentabilidade
- 45% dos agricultores já precisam de certificações para atender às exigências de seus compradores
- 29% dos produtores esperam que um novo padrão seja exigido pelos próximos 12 meses
- 26% das grandes propriedades afirmam adotar medidas relacionadas a créditos de carbono

