A Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) divulgou, no domingo (21), em seu site oficial, o som melhorado emitido por um buraco negro localizado no centro do aglomerado de galáxias de Perseu (240 milhões de anos-luz da Terra). Em maio, a agência compartilhou um vídeo similar, mas o atual conteúdo conta com novos processos de sonificação que garante qualidade sonora superior.
O som foi captado pelo Observatório de Raios-X Chandra da Nasa e foi lançado durante a semana do buraco negro, evento ocorrido em maio e promovido pela agência espacial. Esse material rompe com o senso comum de que não há som no espaço e reafirma a existência de locais fora da Terra que são propícios para a propagação das ondas sonoras. Segundo os astrônomos, o som não se propaga no espaço em regiões onde há essencialmente vácuo. Contudo, no caso de aglomerados de galáxias, há a existência de gases que permitem a captação de ondas sonoras.
Desde 2003, os pesquisadores têm estudado o buraco negro próximo do aglomerado de galáxias Perseu para tentar descobrir qual a origem do som. Estudos recentes apontaram que ondas de pressão que são enviadas pelo buraco provocam ondulações no gás quente presente no aglomerado e isso faz com que seja emitida uma nota. Apesar disso, esse som não pode ser captado pelo ouvido humano. É estimado que esse ruído esteja 57 oitavas abaixo do Dó maior, que é a base do sistema tonal.
Buraco Negro Messier 87
O buraco negro da galáxia Messier 87 (M87) também é objeto de estudo há décadas, principalmente após o lançamento do primeiro projeto do Event Horizon Telescope (EHT), em 2019.
Em maio, a Nasa também divulgou um vídeo com o remix de um som emitido por esse buraco negro:
Técnica utilizada
Para que os sons emitidos pelos buracos negros sejam perceptíveis para as pessoas, os cientistas realizam um processo chamado de sonificação. Nesse remixes elaborados pela Nasa, os pesquisadores fizeram com que as ondas sonoras fossem extraídas em direções radiais (do centro para fora) e os sinais fossem ressintetizados até chegarem ao alcance do ouvido humano, que geralmente é cerca de 57 a 58 oitavas acima da nota original.
A nova técnica leva em consideração que para que a nota seja ouvida, ela precisa ser 44 trilhões a 288 trilhões mais alta do que sua frequência original.
As sonificações foram lideradas pela Chandra X-ray Center (CXC), incluídas como parte do programa Universe of Learning (UoL), da Nasa e contaram com a colaboração do Telescópio Espacial Hubble e do Goddard Space Flight Center da Nasa.
Como fazer a leitura óptica e auditiva dos vídeos
No vídeo divulgado do buraco negro próximo de Perseu, é permitido ouvir as ondas que são emitidas em diferentes direções, e as cores azul e roxo se referem aos dados de raios-X que foram capturados pelo observatório Chandra.
Com relação ao vídeo do som emitido pelo M87, a imagem é baseada em três painéis que correspondem, de cima para baixo, aos raios-X do observatório Chandra, à luz óptica do telescópio espacial Hubble, da Nasa, e às ondas de rádio do Atacama Large Milimeter Array, no Chile. A região mais brilhante, à esquerda da imagem, corresponde ao local onde o buraco negro se encontra, já a estrutura no canto superior direito faz referência ao jato produzido pelo próprio buraco negro.
A sonificação do Messier 87 varre a imagem de três camadas da esquerda para a direita. Enquanto as ondas de rádio são mapeadas para os tons mais baixos, os dados ópticos correspondem aos tons médios e os raios X capturados pelo observatório Chandra dizem respeito aos tons mais altos. Além disso, a parte mais brilhante da imagem corresponde tanto à parte mais alta da sonificação quanto o local onde os astrônomos encontraram o M87, que tem 6,5 bilhões de massa solar.




