O flúor, presente na água da torneira em alguns países, como no caso do Brasil, pode afetar o quociente de inteligência (QI) dos bebês, segundo estudo publicado nesta segunda-feira (19). Os resultados, no entanto, são questionados por vários especialistas.
Desde a década de 1950 se acrescenta fluoreto à água da torneira em muitos países industrializados para prevenir cáries dentárias. Foi demonstrado que concentrações muito altas do mineral são tóxicas para o cérebro, mas as concentrações na água corrente geralmente não implicam riscos.
— Percebemos que havia muitas dúvidas sobre o perigo do fluoreto, especialmente para as mulheres grávidas e as crianças pequenas — disse Christine Till, da Universidade York do Canadá, principal autora do estudo, publicado na revista Jama Pediatrics.
Segundo os pesquisadores, a água fluoretada é distribuída para aproximadamente 66% da população dos Estados Unidos, 38% do Canadá e 3% da Europa. O estudo foi feito em seis cidades canadenses com 512 duplas mãe-filho, 40% das quais vivem em comunidades com água municipal fluoretada.
Os pesquisadores descobriram que um aumento na concentração de fluoreto na urina da mulher grávida de 1 miligrama por litro estava associado com uma queda de 4,5 pontos do QI em meninos de 3 e 4 anos, mas não em meninas.
Decisão de publicar artigo não foi fácil
Ao medir a ingestão diária de flúor da mãe em vez do fluoreto em sua urina, os pesquisadores descobriram que um aumento de 1 miligrama na ingestão se associou com uma queda de 3,7 pontos do QI tanto em meninos como em meninas.
Mas muitos especialistas em áreas que vão desde a estatística até a toxicologia e a neurociência expressaram críticas ao estudo.
— Acredito que as descobertas são bastante fracas e limitadas. Poderiam ser interessantes como parte de um conjunto mais amplo de estudos sobre este tema, mas por si só não deveriam influenciar muito no debate sobre o perigo do flúor — afirmou o psicólogo Stuart Ritchie, do King's College de Londres.
Antecipando-se à polêmica, a Jama Pediatrics publicou uma nota indicando que a decisão de publicar o artigo não havia sido "fácil".
Devido a sua contribuição para a diminuição significativa das cáries nos Estados Unidos, a fluoração da água é considerada um dos 10 grandes marcos em saúde pública do século 20, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).



