
Depois de três meses de investigação, a Polícia Civil desarticulou na manhã desta sexta-feira (15) um esquema organizado e estruturado para vender drogas a partir de Alvorada para várias regiões do município e para bairros da zona norte de Porto Alegre. Segundo o Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc), os consumidores se cadastravam em um grupo de WhatsApp ou faziam pedidos diretamente por telefone para um traficante que foi preso durante a Operação Delivery.
Somente nos últimos 10 dias, foram atendidos mais de 450 usuários por meio de telentrega. A polícia comprovou que esse tipo de venda de entorpecentes aumentou durante o período de distanciamento social.
O delegado Fernando Siqueira, titular da 4ª Delegacia do Denarc e responsável pelo caso, destaca que recebeu uma denúncia anônima em fevereiro e instaurou inquérito para apurar a venda de drogas a partir de traficantes do bairro Americana, em Alvorada.
Segundo ele, marido e esposa montaram o esquema ao acionar pelo menos oito motoboys para fazer as entregas diretamente nas casas dos consumidores cadastrados. Nos três meses de monitoramento, Siqueira comprovou que a telentrega aumentou consideravelmente a partir de abril deste ano, quando as pessoas passaram a ficar mais em suas residências devido ao risco de contaminação pela covid-19.
— É notório que nos finais de semana o aumento é ainda maior. Depois do início de abril, esses traficantes passaram a vender, principalmente pelo WhatsApp, 40 encomendas por dia. Um aumento em relação ao início de março e mais ainda em relação a fevereiro. Para se ter uma ideia, agora em maio, nos sábados e domingos, passam de 60 pedidos diários de drogas — ressalta Siqueira.
Operação Delivery
Após o fim do monitoramento, a polícia obteve da Justiça quatro mandados de prisão preventiva e cinco de buscas. As ordens judiciais foram cumpridas na manhã desta sexta-feira em Alvorada, principalmente no bairro Americana, mas também na zona norte da Capital. Os alvos são o líder do esquema e a esposa, além de dois motoboys.
Siqueira diz que são pelo menos 10 pessoas envolvidas, sendo cinco identificadas. O pai de um dos envolvidos também foi preso porque era foragido da Justiça. A investigação continua para identificar os demais suspeitos, por isso os nomes não estão sendo identificados.
Dois traficantes já são considerados foragidos. Os nomes não foram divulgados.

Esquema organizado
Siqueira informa que o traficante preso, líder do esquema, se aproveitou da situação de distanciamento social para mudar a forma de agir e continuar vendendo drogas. O criminoso oferecia principalmente cocaína, mas também crack e maconha.
Os pedidos começaram a ser feitos por telefone e, posteriormente, pelo WhatsApp, sendo criado um grupo no aplicativo para clientes mais "vips" a fim de facilitar as negociações.
Foram acionados pelo menos oito motoboys. Três foram identificados, além do líder da quadrilha e a esposa.
Siqueira diz que o líder não tem ligação com alguma facção criminosa e que só administrava o esquema. O traficante comprava drogas, usava a família para embalar e atendia aos pedidos pelo telefone. Depois disso, pagava os motoboys por entrega realizada.
A polícia estima uma média de 50 pedidos por dia, mas não descarta que esse número possa aumentar com a continuidade da investigação.
— Agora vamos analisar os telefones apreendidos, acredito que as encomendas pelo WhatsApp possam aumentar o número de telentregas — estima Siqueira.
Segundo o Denarc, o criminoso vendia em torno de R$ 10 mil por semana em drogas. A polícia ainda destaca que vai analisar todas as ligações e mensagens entre traficantes presos, fornecedores e consumidores. Além de celulares, foram apreendidos armas, drogas, dinheiro, munição e dois veículos.


