
Argumentando que a liberdade do vereador Paulo Ivan Baptista Landfeldt, réu pelo assassinato da contadora Sandra Mara Lovis Trentin, causava desvio da ordem pública em Boa Vista das Missões e podia constranger eventuais testemunhas no município, a Promotoria de Justiça de Palmeira das Missões pediu novamente sua detenção. O requerimento, encaminhado na sexta-feira (3), levou à prisão preventiva de Paulo na noite de terça (7), após autorização da Justiça.
Paulo era casado com Sandra, com quem teve três filhas. A denúncia do Ministério Público foi atualizada depois de o corpo da contadora ter sido encontrado, em janeiro, em um matagal a cerca de 40 quilômetros de onde ela desapareceu. O político chegou a ser detido em fevereiro do ano passado, mas respondia ao processo em liberdade. O outro réu, Ismael Bonetto, 22 anos, acusado de ter cometido o assassinato em troca de dinheiro, permanece preso.
— Identificamos dois novos elementos depois que o réu foi solto. Consideramos necessário garantir a defesa da ordem pública, já que várias pessoas em Boa Vista das Missões relataram um sentimento de impunidade com o caso e se mostraram inconformadas com a soltura dele, que é uma pessoa influente. O outro elemento é o que chamamos de conveniência da instrução criminal: há um temor de possíveis testemunhas em falar sobre o assunto justamente por ele estar em liberdade. A soma desses fatores motivou o novo pedido de prisão — explica o promotor de Justiça Guilherme Martins de Martins.
O crime
Sandra residia em Boa Vista das Missões com o marido e três filhas. Ainda era mãe de um jovem, de um relacionamento anterior. Em 30 de janeiro do ano passado, seguiu até Palmeira das Missões para resolver questões de trabalho. Nunca mais retornou. A caminhonete foi encontrada no mesmo dia.
Ao longo das investigações, um suspeito foi preso e confessou ter matado Sandra com um tiro no peito, a mando do marido dela. Ismael Bonetto, 22 anos, mudou de versão uma semana depois. Ele alega que tentou extorquir o vereador e que não teve envolvimento na morte. Landfeldt, que chegou a ser preso, passou a responder ao processo em liberdade, negando o crime.
Os dois se tornaram réus por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A ossada foi encontrada, em em janeiro deste ano, em um matagal a cerca de 40 quilômetros de onde ela desapareceu. Cartões bancários em nome de Sandra também estavam no local. O corpo foi sepultado em abril.
Contraponto
Segundo o advogado João Taborda, a defesa está analisando a decisão que decretou a prisão preventiva do vereador:
— Estamos fazendo isso para serem tomadas as medidas cabíveis, possivelmente um habeas corpus para o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, com a finalidade de restabelecer a liberdade do cliente. Uma vez que, no ponto de vista defensivo, não existem elementos novos ou fatos que justifiquem nova decretação da prisão — afirmou.



