Se os números de internações por coronavírus em UTIs da Capital seguirem alarmantes, o prefeito Nelson Marchezan vai anunciar novas medidas restritivas na segunda-feira (22). Nesta sexta (19), a cidade bateu um novo recorde de pacientes da doença em unidades de terapia intensiva: 89 pessoas, superando em 10% a marca anterior, de 81 doentes, registrada na quarta-feira (17).
— É um sinal realmente ruim porque está quebrado o recorde de dois dias atrás, e, dois dias atrás, quebramos o recorde do dia anterior — relata o prefeito. — A velocidade desse crescimento é o que nos dá projeção de chegar, em duas ou três semanas, no nosso limite suportável das estruturas hospitalares.
Na última segunda-feira (15), em um decreto mais brando do que o previsto, o prefeito restringiu as atividades do comércio com faturamento acima de R$ 4,8 milhões por ano. Ele não antecipou que tipo de negócio terá de fechar as portas em Porto Alegre na próxima semana, mas há uma tendência de que as novas medidas sigam a lógica da restrição por faturamento.
— Provavelmente, vai seguir a metodologia pelo tamanho dos empreendimentos, principalmente comerciais. Quanto mais variedade e maior seu local, mais o estímulo de circulação para as pessoas irem lá comprar: fazem as pessoas se deslocar de um bairro para o outro porque tem uma gama de produtos e ofertas maior — explica.
Marchezan justifica que tem optado por medidas menos restritivas, mas em menor espaço de tempo, para tentar evitar maiores reflexos sociais e econômicos. Ele ressalta que sua equipe mantém um controle diário de indicadores de contágio e índices de circulação de pessoas — e concluiu que as medidas anunciadas no começo da semana não eram suficientes:
— A gente está fazendo o máximo para não chegar ao lockdown.
Reunião com prefeitos da Região Metropolitana
O prefeito Nelson Marchezan quer realizar na segunda-feira uma reunião virtual com prefeitos de Alvorada, Guaíba, Novo Hamburgo e Viamão — nesta sexta-feira, não conseguiu conciliar as agendas da maioria.
Isso porque, nos hospitais de Porto Alegre, notaram-se mais atendimentos a moradores desses municípios — eram 22 pessoas internadas em UTI na quinta (18), o que representa 60% da média de ocupação de Região Metropolitana e do Interior.
— Queremos trocar ideias, mostrar o que a gente está fazendo, falar dos números de internação e perguntar por que eles acham que os números têm aumentado. Não é nada agressivo nem queremos ensinar ou cobrar alguma coisa — garante.
Apenas dois dos quatro municípios da Região Metropolitana têm leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pelo Sistema Único de Saúde (SUS): Novo Hamburgo e Viamão. Na cidade do Vale do Sinos, por exemplo, os 20 leitos de UTI do Hospital Municipal estão ocupados, atingindo 100% da capacidade. Ao todo, o município tem 44 leitos de alta complexidade, sendo que 37 deles estão sendo usados. Em Viamão, dos 25 leitos de UTI, 19 estão ocupados, o que representa 76% da capacidade.
Já os municípios de Guaíba e Alvorada não têm leitos SUS de UTI, sendo regulados pela Central de Leitos do Estado.
* Colaborou Francine Silva



