
Macarrão instantâneo, bolachas recheadas e salgadinhos fazem parte do cardápio de mais da metade dos adolescentes brasileiros. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) divulgados na terça-feira (16) pelo Ministério da Saúde mostram que 55% dos jovens atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) consomem regularmente esse tipo de produto. No Sul, a quantidade de adolescentes que ingere esses alimentos chega a 59%, tornando a região a líder do ranking nacional — o menor percentual é do Norte, com 47%. No Rio Grande do Sul, o número é de 57%.
Para Jacira Conceição dos Santos, presidente do Conselho Regional de Nutricionistas do Rio Grande do Sul, há pelo menos três hipóteses que podem explicar a alta dos números no Sul: temperaturas mais baixas, poder aquisitivo maior e grande concentração de pessoas nas cidades maiores, onde há mais oferta desse tipo de alimento.
— Podemos fazer conjecturas, pois trabalhos sobre isso eu desconheço — diz.
Outros números que foram destacados com o levantamento são o de consumo de hambúrguer e/ou embutidos, que chega a 48% no Rio Grande do Sul, e biscoitos recheados, doces ou guloseimas, com 40%.
O resultado dessa má alimentação já é conhecido: o aumento da obesidade entre os jovens. Números da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) revelaram que 7,8% dos adolescentes das escolas entre 13 e 17 anos estão obesos, enquanto o Sisvan apontou que 8,2% dos adolescentes (10 a 19 anos) atendidos na Atenção Básica em 2017 estão nessa condição.
—Dados revelam que adolescentes com obesidade aos 19 anos têm 89% de chance de serem obesos aos 35 anos, por isso é necessário investir na promoção de uma alimentação adequada e saudável, especialmente na infância e na adolescência, tendo em vista a relação de práticas alimentares inadequadas com o aumento da obesidade na população — fala o coordenador-substituto de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Eduardo Nilson.
Mudar esse cenário e reduzir esses números passam, necessariamente, pela educação alimentar, que deve ser estimulada desde cedo.
— Nós desenvolvemos o paladar até os quatro anos. Se nos primeiros anos de vida forem oferecidos alimentos com muito açúcar, sal e sódio, as crianças vão desenvolver o paladar em que o limiar será esse — conclui Jacira.




