
Os primeiros meses do ano estão bem desenhados pela dupla Ca-Ju. Não que Caxias e Juventude saibam as soluções de todos os problemas que apresentaram e todos os motivos por tudo de positivo que tiveram até a parada das competições, na metade de março. Mas o período do isolamento social, e sem jogos, propiciou aos clubes uma avaliação mais detalhada de lances e momentos dos próprios jogos, além de uma observação mais minuciosa de futuros adversários e de possíveis reforços.
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Para que isso pudesse acontecer, um profissional é determinante: o analista de desempenho. Éder Chaves, do Caxias, e Hugo Leonardo, do Ju, tiveram rotinas de muito estudo e observações de partidas neste mês que passou.
— Quando soubemos que não teríamos treinos e jogos, nos reunimos para definir como seria o monitoramento de outros estaduais. Me dividi com o Jefferson (Ribeiro, auxiliar-técnico do Caxias) e com uma plataforma que usamos, observamos outros jogos. No mais, refletimos também sobre o nosso time. O Lacerda (técnico grená) é um cara muito crítico e sempre bate na tecla de termos de observar o que acertamos e erramos, então realizamos reuniões todos os dias para nos preparar para o futuro — afirma Chaves, sobre o trabalho feito intensamente, mesmo após a conquista do primeiro turno do Gauchão.

Pelo lado alviverde, além da campanha irregular que o time apresentou no primeiro trimestre do ano, há um detalhe que torna ainda mais importante o trabalho do analista de desempenho. Como o Juventude trocou o técnico Marquinhos Santos por Pintado durante a paralisação do Gauchão e da Copa do Brasil, o novo treinador sequer esteve reunido com os atletas.
— Uma vez por semana eu vou no clube para pegar alguns materiais, mas no geral o nosso trabalho é feito em casa. Estamos analisando nossa equipe e nossos jogos. Na mudança de comando, montamos o material dos jogadores do nosso elenco, com informações quantitativas e qualitativas, para a comissão que está chegando. Para eles adiantarem o trabalho e terem um conhecimento total do grupo — afirma o analista alviverde, explicando o contato com o novo treinador:
— Desde a chegada dele, estamos nos falando quase diariamente. Não só o Pintado, como o auxiliar técnico. Trocamos materiais de jogadores e de adversários. Como tem a possível volta do Estadual, estamos projetando essa questão.
Após a parada da pandemia, muita coisa deve mudar no cenário do futebol brasileiro. Algumas equipes já anunciam que não terão condições de seguir as competições. Outras dispensaram um grupo inteiro de jogadores e precisarão contratar uma equipe inteira. Até por isso, será preciso atenção dos profissionais de análise de desempenho para que boas opções sejam colocadas à disposição das comissões técnicas.
— Estamos observando possíveis reposições, caso seja necessário. Particularmente, espero que não aconteça, pois o nosso grupo é muito forte. Mas monitoramos para ter uma opção de cobertura, caso alguém saia. Quanto a Série D, olhamos muito pouco, pois até lá tudo deve mudar — admite o analista grená.
O juventudista tem outro foco:
— Temos o trabalho também de análise de mercado, mas estamos nos dedicando mais sobre a nossa equipe e adversário. O mercado é um trabalho contínuo, que já realizávamos antes da paralisação, então já está bastante consolidado. Uma semana antes da parada, passamos uma lista para o Ari e a direção com destaques dos estaduais e jogadores com perfil que se encaixam nas características do clube — disse Hugo Leonardo.

Retorno próximo?
Algumas reuniões entre dirigentes dos clubes e a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) dão indícios de um possível retorno do Gauchão. Como a tendência é de não ocorrer uma intertemporada muito grande para a retomada dos jogos, toda informação do que ocorreu até a parada será imprescindível. No entanto, outra ação será necessária: o cuidado.
Sabendo da necessidade dele, os dois profissionais não se dizem preocupados com um possível retorno.
— O clube toma todas as precauções, então acredito que não teremos problemas. Temos diretores experientes, com bom entendimento nesta parte. Eu me sinto seguro, mas temos que cumprir o que a Federação determina — disse Chaves.
— Estou tranquilo quanto a uma volta, caso façamos as coisas do jeito certo, tomando os cuidados necessários. Nós vemos que os países que menos sofreram foram aqueles que já se estavam se prevenindo. Vai mudar a vida de todo brasileiro. Então temos que olhar os dois lados: preservação das vidas e fator econômico. Dá pra controlar os dois e chegar a um denominador comum, mas sempre com muita prudência e priorizando a vida. Acredito que até maio conseguiremos voltar aos poucos — concluiu Leonardo.




