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Freira gaúcha é premiada pela ONU por trabalho na proteção de refugiados e migrantes

Rosita Milesi, 79 anos, é advogada, assistente social e ativista. A religiosa foi homenageada com o prêmio Nansen, concedido pelo Alto Comissariado da ACNUR

AFP

Marina Calderon / UNHCR / AFP
A freira dirige o Instituto Migrações e Direitos Humanos, uma agência humanitária.

Natural de Farroupilha, na Serra, a freira Rosita Milesi, 79 anos, foi laureada nesta quarta-feira (9) com o Prêmio Nansen, atribuído pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) , por seu trabalho em favor desta comunidade e das pessoas deslocadas. O prêmio serÁ entregue durante uma cerimônia em Genebra, no dia 14 de outubro.

Irmã Rosita ajudou milhares de pessoas no Brasil a ter acesso a documentos, à habitação e ao mercado de trabalho durante mais de 40 anos, destacou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

"Decidi me dedicar aos migrantes e aos refugiados. Inspiro-me na necessidade crescente de ajudar, acolher e integrar os refugiados. Não tenho medo de agir, mesmo que não consigamos tudo o que queremos", disse a freira, citada em comunicado.

A religiosa dirige o Instituto para as Migrações e os Direitos Humanos, agência humanitária que criou em Brasília em 1999. A instituição se dedica ao atendimento jurídico e social, ao acolhimento humanitário e à integração social e ao mercado de trabalho de migrantes, requerentes de asilo, refugiados e apátridas. O foco principal são as pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

O Acnur destacou seu trabalho como advogada, afirmando que ela foi "essencial" para o desenvolvimento da legislação brasileira, contribuindo para melhorar os direitos dos refugiados e alinhá-los aos padrões internacionais.

Outras quatro pessoas também foram premiadas em nível regional.

  • Maimouna Ba, uma ativista do Burkina Faso que ajudou mais de 100 crianças deslocadas a retornarem à escola;
  • Jin Davod, uma refugiada síria que criou uma plataforma online para conectar milhares de sobreviventes com terapeutas;
  • Nada Fadol, uma refugiada sudanesa que mobilizou ajuda para centenas de famílias de refugiados fugindo para o Egito;
  • Deepti Gurung, que fez campanha para reformar as leis sobre cidadania no Nepal depois de descobrir que suas filhas se tornaram apátridas

Irmã Rosita possui cidadania brasileira e italiana. Ela é membro da ordem Scalabriniana, conhecida por seu serviço a refugiados e migrantes.

Criado em 1954, o prêmio de US$ 100 mil dólares (R$ 554 mil na cotação atual) leva o nome do explorador polar norueguês Fridtjof Nansen, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1922 e primeiro alto comissário para refugiados da Liga das Nações, precursora da ONU.

* AFP

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