
O jornalista investigativo Mauri König, 49 anos, um dos repórteres mais premiados do país, foi o convidado da segunda edição do Em Pauta ZH, uma série de eventos que o Grupo RBS está produzindo para discutir temas relacionados ao jornalismo. Durante cerca de uma hora e meia, König relembrou grandes reportagens, falou sobre momentos perigosos vividos na carreira e também opinou sobre a crise enfrentada pelo mercado.
- Ele (König) representa talvez um dos investimentos mais importantes no que a gente acredita como jornalismo de qualidade, que são as reportagens especiais e investigativas. Esse é um dos elementos mais importantes. As marcas jornalísticas vivem de grandes reportagens - afirmou a vice-presidente de Jornais e Mídias Digitais do Grupo RBS, Andiara Petterle.
König: "A ilha de excelência no oceano de informações é a reportagem"
Veja como foi a segunda edição do Em Pauta ZH
O evento, que ocorreu nesta terça-feira no Salão Nobre do prédio corporativo da RBS, contou com a presença de professores e alunos de universidades, profissionais do mercado e jornalistas dos veículos do grupo e discutiu a importância da reportagem na sustentação do jornalismo.
- Apesar da crise, o impresso ainda está vivo. Nunca se leu tanto jornal - disse König aos convidados. - Por mais crise que se tenha, não vejo um jornal recusando uma boa pauta - acrescentou.
O repórter paranaense, que recebeu o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa do Comitê de Proteção aos Jornalistas, de Nova York, e o Cabot Prize da Columbia University, além de dois Essos, também provocou uma reflexão sobre o momento atual da profissão e da importância que o jornalismo tem com a sociedade.
- Não acredito em uma sociedade vivendo sem jornalismo. Não preciso nem dizer o quanto a imprensa foi importante para o Brasil nas últimas décadas. O jornalismo tem de ser aquilo que importa para as pessoas. Quero que aquilo que escrevo provoque uma mudança - sustentou.
König também lembrou de grandes reportagens que marcaram sua carreira como a denúncia de corrupção policial no Paraná que o fez deixar o país e outra sobre o recrutamento de adolescentes para o serviço militar no Paraguai. Pela primeira, foram ameaçados ele e sua família. Pela segunda, foi espancado quase até a morte.
- Os caras (os policiais) ameaçaram metralhar a minha casa - disse, emocionado, lembrando que teve de se afastar. - É muito difícil você não poder acompanhar o crescimento de um filho. Não me arrependo do que fiz. Esses efeitos colaterais (ameaças) são difíceis, mas não sei fazer outra coisa - afirmou.
O jornalista paranaense aproveitou o debate para reforçar a importância do processo de apuração nas reportagens.
- Algumas das minhas reportagens mais marcantes produzi fora do meu expediente de trabalho. Compensa se esforçar mais, perder mais tempo e revisar muito para evitar incômodo mais tarde. Prefiro ter o trabalho dobrado para checar tudo. Não faço ideia de quantas vezes leio minhas reportagens. Muitas vezes deixei de publicar para evitar erros. Prefiro ser ameaçado do que ser acionado judicialmente pelo erro - ressaltou.
* Zero Hora
