
A Fifa tentou reduzir a suspensão de Paolo Guerrero, por doping, mas não obteve sucesso. Segundo a defesa do atacante, a participação da entidade não foi admitida no processo pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), na Suíça. Apesar disso, os advogados do jogador do Inter esperam para as próximas semanas uma decisão do Tribunal Federal Suíço que pode liberar o atleta para jogar com a camisa colorada já em janeiro de 2019. No momento, ele está suspenso até 23 de abril de 2019.
— A participação da Fifa não foi admitida pelo tribunal. Mas o nosso recurso segue em seu curso regular. Nós pedimos a nulidade do laudo da decisão do TAS. Esperamos que a decisão ocorra dentro das próximas semanas — disse o advogado de Guerrero, Júlio Garcia.
Desde o início do processo, a Fifa defendia que a pena do atacante fosse mais branda e o puniu por seis meses. A suspensão foi ampliada, posteriormente, pelo TAS para 14 meses.
Guerrero foi flagrado no exame antidoping em 5 de outubro de 2017 pela presença de um metabólito da cocaína na amostra de urina colhida após o jogo Argentina x Peru, pelas Eliminatórias. O jogador alega que a contaminação ocorreu por conta do consumo de um chá no hotel onde a seleção peruana estava concentrada. Inicialmente, a Fifa suspendeu o atacante por um ano. Posteriormente, a entidade reduziu a pena para seis meses.
A Agência Mundial Antidoping (Wada), no entanto, considerou a punição branda demais e recorreu ao TAS. Em maio de 2018, o tribunal suíço aumentou a suspensão para 14 meses. O jogador conseguiu atuar pela seleção peruana na Copa do Mundo apenas por conta de uma liminar concedida pelo Tribunal Federal Suíço, a suprema corte do país europeu.
Com a liminar ainda em vigor, o Inter contratou Guerrero no dia 15 de agosto, firmando um contrato de três temporadas. Cerca de uma semana depois, o Tribunal Federal Suíço revogou a decisão, obrigando o atacante a cumprir a pena até 23 de abril de 2019.
A defesa do jogador ainda tenta na Justiça da Suíça anular a decisão do TAS, absolvendo o atleta e o liberando para jogar pelo Inter já nos primeiros jogos da temporada 2019.
Entenda o imbróglio jurídico envolvendo Guerrero:
Novembro de 2017
Em novembro de 2017, Guerrero foi suspenso provisoriamente pela Fifa por 30 dias devido ao antidoping em Argentina 0x0 Peru, pelas Eliminatórias, em 5 de outubro. Na urina do jogador apareceu a presença de benzoilecgonina, principal metabólico da cocaína. Em sua defesa, o atacante peruano alegou contaminação em um chá que tomou antes do jogo.
Dezembro de 2017
A Fifa anunciou uma suspensão de Guerreiro por um ano, no dia 8 de dezembro. Imediatamente, o Flamengo anunciou a quebra do vínculo com o jogador.
No dia 20, Guerrero apelou à Fifa e obtve uma redução para 6 meses junto ao Tribunal de Apelação da entidade.
Janeiro de 2018
No dia 29 de janeiro, Guerrero apelou ao TAS (Tribunal Arbitral do Esporte) solicitando a extinção da sanção.
Março de 2018
Ainda sem a definição do julgamento, o atacante teve o vínculo com o Flamengo reativado no dia 14 de março e voltou aos treinos. A data respeitava os 45 dias anteriores ao fim da punição imposta pela Fifa, que iria até o dia 3 de maio (seis meses).
No dia 21, a Agência Mundial de Antidoping (WADA) pediu o aumento da pena ao jogador para dois anos
Maio de 2018
Em 3 de maio, Guerrero teve a audiência de apelação no TAS, que durou 10h30min.
No dia 14, o TAS publicou a sentença: 14 meses de suspensão (já havia cumprido seis meses).
Junho de 2018
No dia 1º , Guerrero obteve na justiça suíça a liminar que suspendia provisoriamente o restante da pena (oito meses), o que permitiu jogar a Copa do Mundo da Rússia.
Em 26 de junho, o atacante jogou a sua última partida pelo Peru, quando marcou um dos gols na vitória de sua seleção sobre a Austrália por 2 a 0.
Julho de 2018
Guerrero atuou em quatro jogos pelo Flamengo no Brasileirão. O último foi dia 29, na vitória sobre o Sport, quando entrou na etapa final. Jogou por 16 minutos.
Agosto de 2018
Dia 15, o atacante desembarcou em Porto Alegre para ser apresentado como novo reforço do Inter. O contrato tem uma cláusula de proteção que permite que o Inter não precise pagar os rendimentos mensais, caso a suspensão fosse revogada.
Em 23 de agosto, a justiça suíça revisou a sentença e derrubou a liminar. Assim, caso não o jogador não obtenha uma nova liminar, terá de cumprir suspensão até 23 de abril de 2019. O contrato do Inter fica congelado até esta data e Guerrero ficará vinculado ao Inter até 23 de abril de 2022.
Março de 2019
Pelo regulamento da Fifa, Guerrero deverá estar liberado para voltar aos treinos com o Inter somente em março. Isso porque faltará 45 dias para o fim da pena.





