
O técnico do Grêmio no título da Copa do Brasil de 1989 era Cláudio Duarte. Em entrevista à GaúchaZH, ele recordou a conquista, os duelos com o Sport, a apreensão pela falha de Mazaropi no gol sofrido pelo seu time, a campanha no torneio e a importância daquela taça para a marca de um clube "copeiro". Confira:
Qual a sua lembrança das finais contra o Sport, em 1989?
Recordação muito positiva, porque naquele momento a campanha estava sendo muito boa, com alguns resultados expressivos, como o 6 a 1 contra o Flamengo. Mas nós conhecíamos o time do Sport e a gente tinha certeza de que a decisão seria difícil, em dois jogos, porque o Sport era um belo time na época e era fortíssimo em casa. No jogo da Ilha do Retiro, fomos sabendo que o resultado de lá daria a perspectiva do jogo em casa. Não foi um grande jogo, mas conseguimos sair com um 0 a 0, que nos deu a possibilidade de decidir em casa. Em Porto Alegre, as individualidades apareceram e conseguimos os gols com Assis e Cuca. Foi difícil, mas a vitória foi merecida.
O que o senhor pensou quando o Mazaropi fez, contra, aquele gol no primeiro tempo?
Foi um susto, aquilo que acontece quando tu menos espera. Sofremos o empate mais para o fim do primeiro tempo. Foi um gol que, de certo forma, nos assustou, porque o empate com gols dava o título ao Sport. Terminou o primeiro tempo e o estádio ficou em silêncio. No intervalo, tivemos de dar uma sacudida na turma. Mas o Mazaropi é um cara excepcional. Ele reconheceu o erro e disse aos companheiros que sabia que eles fariam um gol e que o título seria nosso. Tanto que o Cuca, quando marca o gol, atravessa o campo para dar um abraço nele.
Essa ideia de saber como enfrentar um torneio acho que ficou enraizada no clube. Por isso, o Grêmio tem essa fama (de copeiro), porque semeou bem essa ideia
CLÁUDIO DUARTE
técnico do Grêmio em 1989
O Grêmio fez uma bela campanha naquela Copa do Brasil, com 10 jogos, oito vitórias e apenas dois empates. Como foi a trajetória na competição?
Os dois primeiros adversários (Ibiraçu e Mixto) eram que nem hoje, os grandes tinham a obrigação de ganhar. Mas a gente sabia que não poderíamos levar como jogos fáceis demais e correr o risco de tomar uma paulada. Por isso, jogamos com tudo, goleamos e isso deu moral para o time. Enfrentamos um Bahia que era campeão brasileiro em 1988, que tinha uma grande equipe, um Flamengo cheio de estrelas e um Sport também muito forte. Foi uma campanha muito boa mesmo.
O que dá para dizer daquele grupo de jogadores do Grêmio?
Era um grupo bom. Não dá para dizer que tínhamos um time insuperável, mas era uma boa equipe. Trouxemos o Hélcio, que tinha trabalhado comigo em Curitiba, o Edinho, que era um zagueiro de Seleção, e o Jandir, que tinha trabalhado comigo no Inter. Eles tinham uma boa experiência e boa capacidade de grupo. Ajudaram bastante a potencializar o nosso time, o aspecto coletivo, para que conquistássemos o título gaúcho e da Copa do Brasil.
Aquela Copa do Brasil foi a primeira do Grêmio e, depois, o clube conquistou mais quatro e ganhou a fama de "copeiro". Qual a importância daquele título para essa marca do time?
Lembro que a gente se reuniu, comissão técnica e direção, para discutir esse torneio. Era diferente de um campeonato, porque era todo mata-mata. Teríamos de jogar com o regulamento. Tínhamos de ler o regulamento, jogar por ele e, na dúvida, abrir na página que precisava. Falávamos que as atuações não eram para ser as mesmas de um campeonato. Tudo era uma questão de necessidade. Sabíamos que não poderíamos perder, porque o risco de sair fora era maior. Essa ideia de saber como enfrentar um torneio acho que ficou enraizada no clube. Por isso, o Grêmio tem essa fama, porque semeou bem essa ideia.




