Após o pânico na quinta-feira (12), quando amargou o maior tombo em quase 22 anos, a bolsa de valores de São Paulo, a B3, teve alívio na última sessão da semana. Nesta sexta-feira (13), seu principal índice, o Ibovespa, subiu 13,91%, para 82.677 pontos. Mesmo assim, teve a pior semana no acumulado desde 2008 — a redução foi de cerca de 15% entre segunda e sexta-feira.
Na quinta, diante do avanço do coronavírus, o indicador havia despencado 14,78%. Foi a maior queda diária desde 10 de setembro de 1998, com dois registros de circuit breaker. Esse mecanismo é acionado para paralisar os negócios em momentos de tensão.
Para analistas, a trégua nesta sexta refletiu o anúncio de medidas de estímulo econômico em países como os Estados Unidos. Especialista no setor financeiro, o economista João Augusto Salles menciona que sinais de perda de força do coronavírus na China também melhoraram o humor de investidores.
— O mercado fica extremamente sensível em momentos como este. Mas agora há uma visão mais otimista em relação a estímulos à economia internacional. A sinalização de que os casos de coronavírus na China estão desacelerando também impacta — aponta o economista.
Em momentos de tensão, é comum que o mercado financeiro atravesse nuvens de volatilidade. Ou seja, ações de empresas podem cair muito em um dia e apresentar altas robustas na sessão seguinte. Exatamente o que ocorreu na quinta e nesta sexta-feira.
— A alta expressiva na última sessão da semana é reflexo das quedas superexpressivas dos dias anteriores — pontua o sócio-diretor da Fundamenta Investimentos, Valter Bianchi Filho.
Nesta sexta, o dólar voltou a subir. Fechou a sessão com alta de 0,57%, cotado a R$ 4,8128. Com isso, renovou a máxima histórica frente ao real em termos nominais. No ano, a moeda americana acumula avanço de quase 20%.
— É normal que, em crises, o real se desvalorize. Ao longo dos últimos dias, o Banco Central promoveu leilões para conter a alta do dólar. Fez isso de maneira bem inteligente — diz Bianchi Filho.
Considerando a inflação, o maior valor real do dólar continua sendo o do dia 30 de setembro de 2002, quando atingiu o equivalente a R$ 7,577 em valores atuais (R$ 3,9522 em valores nominais).
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