Kryptonianos que me perdoem, mas Batman Vs Superman: A Origem da Justiça é um filme do Batman. Em todos os sentidos.

Pausa para você parar de ler se quiser evitar spoilers.
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Posso continuar? Bom, para começar, as primeiras cenas recontam o episódio crucial para a transformação de Bruce Wayne em Homem-Morcego: o assassinato de seus pais, Thomas e Martha (guarde este nome). É ele, portanto, o protagonista; é sua a única mente que se abre para um mergulho do espectador, via pesadelos pretéritos ou sonhos distópicos; e é por seu ponto de vista que surgem na história o Homem de Aço (Henry Cavill) e a grande novidade do universo cinematográfico da editora DC, a hipnotizante Mulher-Maravilha (Gal Gadot).
O próprio Batman é uma novidade. Saiu Christian Bale e, agora, Ben Affleck está por trás da máscara. Minha escolha para encarnar um Cavaleiro das Trevas mais velho teria sido outra (Jon Hamm, por exemplo), mas, justiça seja feita, Affleck não deixou a peteca, quer dizer, a capa cair. Manteve a gravidade e acrescentou mais sarcasmo ao papel.
Um novo Batman traz consigo um novo Alfred (Jeremy Irons, sempre um prazer de ver e, especialmente, ouvir), uma nova batcaverna, um novo batmóvel, um novo uniforme e um novo arsenal. Só não traz novos batvilões – e aqui os adoradores de Kal-El podem erguer o dedo para me corrigir: rá!, os dois vilões do filme são do Superman. São. Mas filme de super-herói que se preze tem de ter pelo menos um vilão carismático, que assuste e fascine ao mesmo tempo. Vide o Coringa de Heath Ledger. O Loki de Tom Hiddleston. O Lex Luthor de Gene Hackman. O Magneto de Ian McKellen. O Dr. Octopus de Alfred Molina. O diretor Zack Snyder nos oferece o caricato Luthor a la Mark Zuckerberg interpretado por Jesse Eisenberg – espinafrado por críticos e fãs – e Apocalypse, que é um personagem digital, ou seja: um embuste barulhento e destruidor, com quem não se estabelece a menor empatia. (Aliás, é por isso que nunca dá certo o Hulk do cinema – achem um novo Lou Ferrigno!)
Esses dois pesos, vindos do corner kryptoniano, puxam para baixo o filme, que, como muitos já perceberam, parece apenas uma versão estendida do malfadado segundo trailer – praticamente toda a trama, surpresas e até reviravoltas foram reveladas ali, arrefecendo as expectativas. Sobram a Mulher-Maravilha e o conflito entre Batman e Superman. O aguardado quebra-pau entre os dois personagens presta tributo a um gibi do Batman, claro, O Cavaleiro das Trevas, e enfatiza a faceta estrategista do Homem Morcego. Pode até ter terminado em empate, mas, no final – olha o spoiler aí, gente! –, quem tem a última palavra é o Batman.
