Com a projeções divulgadas nesta quarta-feira (10), a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) completa o quadro das grandes instituições que tentam prospectar o futuro em momento de elevada incerteza. E as notícias para o Brasil não são boas: a previsão é de queda entre 7,4% e 9,1%.
Chamada de "clube dos países ricos", a OCDE é o organismo em que o Brasil sonha entrar, tanto que o assunto já rendeu até desgastes com os Estados Unidos, que acabou chancelando a candidatura em janeiro passado. No relatório que intitulou "A economia mundial na corda bamba", a OCDE se tornou o organismo internacional mais pessimista sobre o desempenho do Brasil neste ano.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) havia estimado queda de 5,3% para o Brasil em 14 de abril, e o Banco Mundial situou o tamanho provável do tombo em 6% na terça-feira (9). Embora o Brasil ainda esteja longe de se transformar em membro do "clube dos ricos", não apenas no sentido de entrar na OCDE, a organização faz projeções genéricas para países emergentes, nas quais inclui o Brasil.
A explicação para grande variação entre os números (7,4% e 9,1%) vem da percepção da OCDE de que há 50% de possibilidade de uma segunda onda de contágio por coronavírus, que obrigue os países a retomar medidas de isolamento mais drásticas no último trimestre deste ano. Mas mesmo o que despreza esse risco é o mais pessimista nas projeções desse tipo de entidade.
Conforme a OCDE, "a pandemia de covid-19 é uma crise global de saúde sem precedentes na memória viva. Provocou a recessão econômica mais grave em quase um século e está causando enormes danos á saúde, ao emprego e ao bem-estar das pessoas". Ao observar, com muito destaque, que as perspectivas são "altamente incertezas", observa que fez dois cenários prováveis: "um em que uma segunda onda de infecções, com novos bloqueios, ocorre antes do final de 2020 e outra em que outro grande surto é evitado".



