
Foi uma jornada de estoicismo, de resiliência. Foi, em resumo, um ponto ganho e a ser comemorado. O Inter superou suas dificuldades, fez um jogo de estratégia e segurou um Flamengo que é autoexplicativo neste seu momento de NBA do futebol brasileiro.
O empate em 0 a 0 no Maracanã trouxe uma afirmação, Keiller, e mostrou no campo que há um novo goleiro titular no Beira-Rio. Trouxe ainda dois resgates técnicos no meio-campo. Liziero e Edenilson, formando dupla na frente da área. Eles foram firmes sem a bola e souberam cortar as linhas de passe de nomes como Arrascaeta, Everton Ribeiro e Gabigol, que, na sua nova versão, recua para receber a bola e parte com ela em direção ao gol.
Com a bola, os dois volantes tiveram lucidez para jogar e fazer a transição do time, acionando sempre um Pedro Henrique vertical e veloz.
Mano Menezes apostou em um time que marcava, fechava espaços e congestionava o meio-campo, por onde esse Flamengo desequilibra. Mas também apostou em um bloqueio dos lados do campo. Mauricio foi extrema pela direita e segurou Filipe Luís em suas esparsas subidas. Pelo outro lado, Pedro Henrique proporcionou para Rodinei uma noite gelada e chuvosa como as mais enfarruscadas do nosso inverno.
Assim, como uma estratégia de marcar com linhas baixas e apostar nas saídas rápidas, o Inter controlou o Flamengo, que passou 60% do tempo com a bola no pé no primeiro tempo. Quando criou chances, parou em Keiller. Isso quando Mercado e Vitão, de atuações destacadas, não bloquearam antes. A ida para o intervalo foi com o Inter esgrimindo com os cariocas e até arrematando mais a gol, 4 a 3.
O cenário seguiu assim até os 15 minutos do segundo tempo. Inclusive, Pedro Henrique teve uma oportunidade clara de marcar, em tabela com Alan Patrick. Porém, a partir daí, a aplicação do Inter começou a cobrar um preço físico. O time perdeu energia e passou a conceder espaços. Neste momento, começou a desanuviar o abismo que há entre os dois times. Ele já é significativo e ficou ainda maior com as ausências do Inter.
Dorival Júnior começou a lançar nomes como Vidal, Cebolinha, Matheuzinho e Matheus França. Mano colocou mais um zagueiro, Moledo, e lançou suas fichas, como Brian Romero. A partir daí, apelou para os guris. Lucas Ramos e Estêvão entraram na reta final para manter a pegada.
O jogo virou de meia linha, ataque contra defesa. Mas o Inter segurou. Havia 17 jogos no Maracanã, o Flamengo saía sempre com um gol, pelo menos. Nesta noite, passou em branco. O mérito e a noite foram do Inter, numa noite em que, mesmo desfalcado. seguiu como vice-líder e ainda aumentou a distância para o terceiro. É para comemorar.


