A jornalista Bruna Oliveira colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Em meio aos rescaldos da maior catástrofe climática já enfrentada pelo Estado e da necessidade de se reconstruir setores por inteiro, a Secretaria da Agricultura nomeou um novo líder para guiar a recuperação no campo. Com trânsito político e uma presidência da Emater no currículo, Clair Kuhn assume a pasta com uma série de desafios pela frente, entre eles o de colocar uma Expointer em pé. Em entrevista à coluna, o secretário disse que a recuperação da fertilidade dos solos estará entre as suas prioridades de ação. Leia trechos a seguir:

O senhor assume a pasta talvez no momento mais difícil dos últimos anos para o setor agropecuário gaúcho. Qual será o norte da sua gestão?
O secretário Giovani (Feltes) deu um alinhamento do que estava sendo feito, e vamos dar sequência nisso. De fato, os últimos acontecimentos tiveram algo de excepcional. A Secretaria tem uma equipe interna muito qualificada. Temos aqui pessoas que vivem a agricultura há muitos anos. A parte técnica, de achar soluções para problemas. Na condição de diretor adjunto, visitei e vi a destruição e a dimensão do problema. A equipe sabe da necessidade de termos um comprometimento muito forte e de dar uma atenção prioritária ao assunto.
A enchente destoa de outros momentos severos, já que a abrangência do problema é maior. Quando o senhor fala em prioridades, pensa em atacar o problema por algum ponto inicial?
Ainda como diretor adjunto, a regra número um era salvar vidas. Em sequência, foi retomar a volta para casa, nas propriedades. O governo, através disso, alcança recursos aos municípios para reconstruir pontes, pontilhões, estradas. Outra questão que vejo como fundamental atacar agora é projetar como vamos recuperar a fertilidade do solo. Como produtor, sei que o maior patrimônio de uma propriedade rural é o solo. Consequentemente, é a fertilidade desse solo. Antes do impacto das inundações, tínhamos já um programa de solos previamente desenhado para apresentar. Agora, isso se torna mais importante ainda.
Um segundo desafio que já bate à porta é a Expointer.
Perfeito. A Expointer é um sinal de que o Rio Grande tem a força de que todos nós falamos, que tem a solidariedade que nós enxergamos do Brasil inteiro, tem a inovação que lhe é característica e tem o trabalho do povo gaúcho. As entidades, unanimemente, disseram “nós queremos manter a Expointer na data que ela estava proposta”, e nós vamos ter condições de fazer uma Expointer que seja da reconstrução, que dê o retorno que nós precisamos. A Expointer é uma marca, gera muita mão de obra. São quase 30 mil pessoas direta e indiretamente afetadas, e isso traz renda. É o suspiro para o reinício da atividade, com o passo firme.
O senhor tem uma trajetória como produtor rural e transitou em outros cargos relacionados ao agro. Qual a diferença entre o Clair que foi presidente da Emater e que agora assume a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul?
O Clair presidente da Emater passou por uma experiência, digamos, se fosse para os bancos colegiais, do ensino fundamental à universidade. Logicamente, me senti extremamente comprometido e com uma experiência maior, e com uma certeza da necessidade de quem tem mais experiência. A academia e os nossos técnicos com formação nas áreas serão extremamente importantes para dar o suporte que precisamos.


