
A poucos dias da Cúpula pelo Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para a próxima segunda-feira (23), em Nova York, nos Estados Unidos, a mobilização mundial Greve Global pelo Clima ocorreu em todo o mundo nesta sexta-feira (20) para alertar sobre as mudanças climáticas.
A campanha mobilizou crianças, jovens e adultos em uma tentativa de chamar a atenção de políticos, instituições e grandes empresas para o assunto, gerando medidas efetivas a favor do clima.
Manifestações se espalharam por mais de 150 países, entre eles o Brasil. Porto Alegre esteve entre as cidades com registro de atos. Ambientalistas e simpatizantes da causa ambiental se reuniram no Parque da Redenção por volta das 15h30min, em frente ao Monumento ao Expedicionário.
Pelo menos outras oito capitais e no Distrito Federal ocorreram protestos durante a sexta-feira. No Rio de Janeiro, manifestantes ocuparam as escadarias da Assembleia Legislativa e o Museu do Amanhã manifestou apoio, preparando atividades educativas sobre as mudanças climáticas.
Em Belo Horizonte (MG), um grupo protestou em frente à Assembleia Legislativa. Em Salvador (BA), a concentração ocorreu no Largo do Campo Grande. Houve uma aula pública sobre a preservação do meio ambiente. Estudantes de Maceió (AL) também protestaram contra as queimadas.
Em frente à Biblioteca Nacional
No Recife (PE), alunos da rede municipal fizeram um mosaico humano na Praça da República pedindo para salvarem a Terra. Em Fortaleza (CE), na Praça Luíza Távora, estudantes pediram a implantação de uma indústria menos poluente que as termelétricas.
No Maranhão, o principal protesto ocorreu na capital, São Luís, onde estudantes e ativistas levantaram cartazes na Praça Deodoro. Em São Paulo, ativistas começaram o ato no Museu de Arte de São Paulo (Masp), ocupando uma das pistas da Avenida Paulista. Eles caminharam cerca de 4km, até a Praça Roosevelt.
Já em Brasília, os manifestantes se reuniram em frente a Biblioteca Nacional à tarde. No início da noite, caminharam em direção ao Congresso Nacional. Por volta de 19h, um grupo de cerca de 300 pessoas chegou ao gramado em frente ao Congresso. O público ouviu atentamente falas de representantes de movimentos ambientais e também movimentos estudantis e políticos.
— Temos um modelo de consumo, da forma com que as pessoas se relacionam com a natureza, que é insustentável. Ele prevê o crescimento a todo custo e isso tem um limite, e por não levar em conta uma série de questões que têm valor, mas não valor financeiro. As novas gerações estão reparando isso — disse Raphael Sebba, porta-voz da Fundação Mais Cerrado.
A chegada ao gramado do Congresso e as falas dos organizadores encerraram o ato. Às 20h, a manifestação já havia dispersado totalmente.
Centro do ato foi em Nova York
A cidade de Nova York, nos Estados Unidos, puxou uma das maiores greves pelo clima do mundo, com a participação da ativista sueca Greta Thunberg, que criou as greves estudantis pelo clima. A principal mensagem veio dos estudantes.
Cerca de 1,1 milhão de estudantes das escolas públicas foram dispensados da aula para participar da marcha. Além da predominância de estudantes entre 12 e 17 anos, jovens de diversos países também integram o protesto. No resto dos Estados Unidos, foram marcados mais de 800 atos em diversas cidades.
Capitais como Paris, Berlim, Bruxelas, Washington, Cidade do México, Santiago do Chile, Madri, Nova Delhi, Bangkok, Dublin, entre outras, também registram atos. No Reino Unido, milhares de pessoas protestam em Glasgow, Manchester e Londres.
Na Austrália, mais de 300 mil foram às ruas em mais de 100 cidades, apontam das agências de notícias internacionais. Na Alemanha, cerca de 500 manifestações ocorreram em cidades como Berlim e Hamburgo.
Uma adolescente na origem do movimento
O grande nome do movimento é Greta Thunberg — que participou dos atos em Nova Yorque —, ativista ambiental sueca de 16 anos que, no ano passado, começou a faltar as aulas nas sextas-feiras para protestar, pacificamente, diante do Parlamento sueco, por mais ação em relação às mudanças climáticas. A iniciativa recebeu o nome de Fridays for Future (sextas-feiras pelo futuro, em tradução livre).
Ela foi convidada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, para participar da cúpula da ONU. A adolescente pediu aos chefes de governo que não apresentem discursos, mas proponham ações para o que chama de emergência climática.
Diversas personalidades internacionais se manifestaram em apoio ao ato. O líder espiritual budista Dalai Lama publicou mensagem no Twitter apoiando as manifestações. "Esta é provavelmente a geração mais jovem que tem sérias preocupações com a crise climática e seus efeitos no meio ambiente. Eles estão sendo muito realistas sobre o futuro. Eles veem que precisamos ouvir os cientistas. Nós devemos encorajá-los.".

