
Quase quatro meses após o assassinato de Nathana Stephany Marques Gay, 23 anos, o caso investigado pela Polícia Civil segue sem respostas. Ninguém foi preso. A jovem foi morta com um tiro na cabeça durante tentativa de assalto na Cidade Baixa, em Porto Alegre, em 18 de novembro do ano passado.
Responsável pelo caso, o delegado Paulo Jardim afirma que um suspeito já foi identificado. A investigação aponta que duas ou três pessoas tenham envolvimento com o crime. Após disparar contra Nathana, o criminoso fugiu em um Corsa prata.
— A grande dificuldade é conseguir provas para imputar responsabilidades. Estamos trabalhando com todas as provas possíveis: câmeras, testemunhas e material (arma) usado na cena do crime _ explica o titular da 1º Delegacia de Polícia de Porto Alegre.
Pelo menos 50 câmeras foram examinadas. Por enquanto, não há previsão para concluir o inquérito.
— Estamos bem encaminhados, mas sem preocupação com o tempo, e sim em qualificar as provas que vão apontar com convicção a autoria do crime — afirma Jardim.
Nathana tinha planos de estudar ao longo de 2020 para prestar vestibular para Psicologia na UFRGS, em 2021. No futuro, pretendia morar no Canadá. No dia em que foi assassinada, começaria em novo cargo na corretora de seguros da qual era empregada na Cidade Baixa desde março de 2019.
A jovem levou um tiro na têmpora enquanto tentava defender uma amiga de um assalto no bairro Cidade Baixa. O crime aconteceu quando ela e outras duas amigas saíam de um bar na Rua José do Patrocínio para ir à casa de uma delas. O trio decidiu ir pela Rua da República justamente por ser mais movimentada, evitando outras vias que estavam desertas naquele horário. Foi quando foram surpreendidas por um criminoso que, após a ação, fugiu.
A mãe da jovem que Nathana defendeu no momento do crime conta que a filha tem feito acompanhamento psicológico para superar o trauma.
— Foi complicado para ela aceitar, principalmente pelo sentimento de culpa. E todo mês, no dia 18, ela sofre bastante, vem tudo à mente dela de novo. Mas os amigos e a terapia têm ajudado bastante — afirma a moradora de Alvorada, que prefere não se identificar.
Para ela, a demora em encontrar os autores do crime gera clima de insegurança:
— A pessoa que fez isso pode estar por aí cometendo outros crimes. Isso é revoltante porque foi um caso que chocou muito.
Natural de Viamão, mas criada na Cidade Baixa, Nathana não tinha parentes vivos, mas vivia rodeada de conhecidos, que ainda não superaram sua falta. Uma jovem que era sua amiga desde a adolescência _ e prefere não ter seu nome revelado _ diz que a ausência de Nathana ainda não faz sentido entre os que eram mais próximos:
— É um vazio que fica. A Nat era uma pessoa com quem eu falava todos os dias. Contava para qualquer situação, seja para andar no Gasômetro, ir almoçar juntas. Foi algo inesperado e que ainda não tivemos nenhuma resposta.



