Não há certezas sobre a velocidade de disseminação do coronavírus e a quantidade de casos que o Brasil terá nas próximas semanas e meses. Confira os fatores que podem influenciar no comportamento da epidemia no país:
Condições climáticas
As zonas mais afetadas pela pandemia – como China, Coreia do Sul, Irã e Europa – localizam-se no Hemisfério Norte e foram atingidas em pleno inverno. Em períodos frios, os vírus respiratórios tendem a se disseminar com maior facilidade. Isso acontece porque as pessoas permanecem em locais fechados, com maiores aglomerações e menos arejados, e porque os próprios vírus não resistem tão bem ao calor e ao sol. É por esses motivos que os casos de gripe são mais numerosos no inverno.
Não se sabe exatamente como será a propagação do coronavírus em temperaturas mais altas, como as do verão em curso no Hemisfério Sul, mas a tendência é que possam ocorrer menos transmissões. Isso seria favorável para a contenção da epidemia no Brasil, onde muitas regiões têm calor o ano inteiro. No entanto, Estados do Sul e do Sudeste podem ter um pico de casos se ainda houver muita gente infectada quando o inverno chegar.
Demografia
Sabe-se que 85% das infecções respiratórias são transmitidas a menos de um metro e meio de distância e que grandes massas humanas estão mais vulneráveis. Não por acaso, o coronavírus atingiu, por enquanto, zonas muito povoadas. Ásia e Europa somam mais de 5 bilhões de habitantes e têm altas densidades populacionais. A China apresenta 136 habitantes por quilômetro quadrado. A Itália tem 192.
O cenário euroasiático não é idêntico ao da América do Sul (pouco mais de 400 milhões de pessoas) e do Brasil (que tem uma densidade populacional de apenas 23 pessoas por quilômetro quadrado). Por isso, a taxa de disseminação do corona pode ser menor aqui.
Além disso, o fluxo dos contingentes populacionais também é um fator importante. Há uma grande mobilidade dentro da Europa e de países asiáticos, inclusive por via terrestre. Eis um fator que também pode retardar e atenuar a disseminação do vírus no Brasil. O corona tem de atravessar o oceano e vir basicamente por avião, o que já é um limitador. Além disso, o trânsito de pessoas entre as regiões brasileiras não é tão intenso como em outras partes do mundo.
Mapa do coronavírus
Acompanhe a evolução dos casos por meio da ferramenta criada pela Universidade Johns Hopkins:
Medidas de contenção
Os especialistas afirmam que a disseminação do vírus está relacionada com o que é feito ou não para contê-lo. A Europa é um bom exemplo disso. Em alguns países, como a Itália, a situação é catastrófica. Em outros, como o Reino Unido ou a Alemanha, encontra-se relativamente sob controle. Isso significa que o desenvolvimento da epidemia no cenário brasileiro dependerá das medidas que forem tomadas por parte das autoridades de saúde e da população. Nos dois casos, o Brasil sai em vantagem. Governo e sociedade já sabem o que aconteceu no Exterior e estão se mobilizando e adotando as medidas de prevenção.
O pânico no Hemisfério Norte
A situação dramática vivida em países da Europa ajuda o Brasil não apenas porque, antes do vírus se espalhar por aqui, já começamos a tomar medidas de precaução. As próprias medidas adotadas nos países mais atingidos, com restrições de movimentos e cancelamento de voos, reduzem as chances de que alguém infectado entre no país. Caso isso aconteça, o clima vivido na Europa e na Ásia deixa esses eventuais infectados conscientes de que, em caso de sintomas suspeitos, devem evitar contato com outras pessoas e procurar imediatamente um serviço de saúde. A situação de Europa e Ásia, além disso, levou muitos brasileiros a cancelarem viagens a essas regiões, o que é outro fator favorável.
Perfil da população
O coronavírus atinge com muito mais gravidade pacientes mais velhos. Esse é um problema para sociedades onde grande parte da população é idosa, seja porque a taxa de natalidade é baixa ou porque a longevidade é elevada. Esse é o perfil na maioria dos países europeus. Na Itália, a letalidade da covid-19 foi mais alta do que em países com menor proporção de velhos. Comparativamente, o Brasil não tem tantos idosos, o que pode significar uma taxa menor de casos críticos. No entanto, Estados com maior longevidade, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, poderão ter uma proporção mais expressiva de pacientes graves.
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