
Com o anúncio da proposta que eleva em R$ 0,40 o valor da tarifa de ônibus em Porto Alegre, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) voltou a defender a redução de gratuidades no serviço. No total, os benefícios destinados a idosos e estudantes chegam a 31% dos usuários. Em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, o diretor-presidente do órgão, Marcelo Soletti, argumentou que a capital gaúcha é a terceira que mais concede benefícios no país.
— Se tivéssemos um percentual como outras cidades do país, em torno de 10%, teríamos uma tarifa na casa dos R$ 3,50. Ainda é uma situação que a gente precisa enfrentar — argumentou nesta quinta-feira (14).
No estudo enviado na quarta-feira (13) ao Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu), dois cenários foram desenhados. No primeiro, a passagem aumenta de R$ 4,30 para R$ 4,75 de acordo com os cálculos previstos em lei. O segundo leva em consideração o fim do direito de idosos terem isenção na passagem de ônibus a partir dos 60 anos — neste, a tarifa subiria para R$ 4,70. Uma reunião no Comtu, prevista para a próxima quinta-feira (21), irá debater a proposta e votar a mudança. Se aprovada, o novo valor será enviado para sanção do prefeito Nelson Marchezan.
Além da restrição na gratuidade para idosos, a prefeitura tem a expectativa de que outros projetos de lei que aguardam votação na Câmara Municipal sejam aprovados e impactem em redução da tarifa. Um deles prevê a retirada da obrigatoriedade de cobrador em todas as linhas e viagens. As ações para extinção da função seriam graduais e começariam em dias de menor fluxo de passageiros, como finais de semana.
Outro projeto prevê o desconto de 50% na passagem escolar apenas para quem tem renda familiar de até três salários mínimos regionais (que chega a R$ 4.548,78). A diminuição seria de R$ 0,10 na tarifa em 2019.
Menos passageiros
Um dos fatores importantes para fechar o cálculo da EPTC é a queda no número de passageiros: 5,6% pessoas deixaram de utilizar o serviço em 2018 quando se compara com o ano anterior. A baixa, na avaliação de Soletti, tem três motivos principais: insegurança, maior oferta de aplicativos de transportes e a crise econômica. São R$ 0,46 a mais na tarifa deste ano para suprir o menor número de usuários.


