
A Procuradoria-Geral da República (PGR) entrou na quarta-feira (11) com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) de investigação contra três deputados federais diplomados que incitaram os atos golpistas ocorridos em Brasília no domingo (8).
O pedido de inquérito cita André Fernandes (PL-CE), Clarissa Tércio (PP-PE) e Silvia Waiãpi (PL-AP), e tem como base publicações dos parlamentares nas redes socais. As mensagens, de acordo com a PGR, estimularam as ações criminosas de extremistas na Praça dos Três Poderes.
Quem são os citados
André Fernandes
O cearense de 25 anos começou sua carreira política como deputado estadual, eleito em 2018 com 109 mil votos. André já era conhecido anteriormente pelos vídeos de humor e políticos que publicava na internet, apoiando o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e as ações do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por exemplo. Nas eleições de 2022, Fernandes conquistou uma cadeira como deputado federal pelo Ceará com 229 mil votos.
Fernandes divulgou, no dia 6 de janeiro, o ato que resultou na invasão do Palácio do Planalto e dos prédios do STF e do Congresso Nacional.
"Neste final de semana acontecerá, na Praça dos Três Poderes, o primeiro ato contra o governo Lula. Estaremos lá", afirmou.
Ele também compartilhou uma foto da porta do armário de togas do ministro Alexandre de Moraes, arrancada pelos vândalos, com a legenda: "Quem rir vai preso".
Clarissa Tércio
Clarissa foi eleita pela primeira vez como deputada estadual de Pernambuco em 2018, com 50 mil votos. Quatro anos depois, a parlamentar se tornou a segunda deputada mais votada no seu Estado na eleição para a Câmara dos Deputados, com 240 mil votos. Clarissa e o marido, Junior Tércio (PP-PE), que foi o mais votado para a Assembleia Legislativa, são apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A deputada divulgou no Instagram um vídeo da invasão ao Congresso Nacional: "Acabamos de tomar o poder. Estamos dentro do Congresso. Todo povo está aqui em cima. Isso vai ficar para a história, a história dos meus netos, dos meus bisnetos", escuta-se no vídeo.
Sobre o pedido da PGR, Clarissa publicou em suas redes sociais: "Postar um vídeo pedindo oração pelo meu país é considerado incitação a atos de terrorismo? Se for, esse é meu crime!", afirmou.
Silvia Waiãpi
Primeira mulher indígena a ingressar no Exército Brasileiro, Silvia foi uma das quatro mulheres integrantes do grupo de transição anunciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ainda em 2018. No ano seguinte, assumiu sua segunda posição no governo, como secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, sob indicação do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta.
Em fevereiro de 2021, Waiãpi passou a ser a conselheira do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), órgão vinculado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que tinha como liderança a ex-ministra Damares Alves. Nas eleições de 2022, Silvia foi ativa na campanha de reeleição do ex-presidente Bolsonaro, e também conquistou um cargo como deputada federal pelo Amapá, com 5 mil votos.
Segundo a PGR, Silvia Waiãpi divulgou vídeo das invasões com legendas que "endossavam" a ação dos extremistas e "fomentavam" os atos. "Povo toma a Esplanada dos Ministérios nesse domingo! Tomada de poder pelo povo brasileiro insatisfeito com o governo vermelho", escreveu.
