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Alexandre de Moraes retira sigilo do inquérito de atos antidemocráticos

Para ministro do STF, não há necessidade de restrição do acesso ao relatório parcial da Polícia Federal

Estadão Conteúdo

Pepita Ortega, Rayssa Motta e Fausto Macedo

Rosinei Coutinho / STF,Divulgação
Moraes é relator de apuração aberta após manifestações defendendo volta da ditadura e intervenção militar

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou o sigilo dos autos do inquérito dos atos antidemocráticos, aberto após manifestações defendendo a volta da ditadura militar, intervenção das Forças Armadas e atacando instituições democráticas no ano passado.

Em decisão datada da última sexta (4), o ministro indica que apesar de a "necessidade de cumprimento das numerosas diligências" exigir, a princípio, a imposição de sigilo à totalidade toda investigação, não há necessidade de manutenção "da total restrição de publicidade" considerando o relatório parcial da Polícia Federal apresentado em dezembro à corte.

"Nos termos do inciso IX do art. 93 da Constituição Federal de 1988, todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação", sustentou o ministro.

Como mostrou o Estadão, no relatório de 154 páginas apresentado ao Supremo em dezembro, a delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro defendeu a "justa causa" no aprofundamento da apuração, apontando a possibilidade de desmembramento do caso. Segundo ela, a "forte polarização ideológica" dificultou o andamento da investigação.

Já a PGR defendeu o arquivamento da apuração em relação a parlamentares bolsonaristas. O argumento foi o de que a Polícia Federal não conseguiu delimitar a investigação. "Esse inadequado direcionamento da investigação impediu a identificação de lacunas e dos meios necessários, adequados e proporcionais para alcançar a sua finalidade, impossibilitou a delimitação do problema", diz um trecho da manifestação.

O parecer, assinado pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, levou cinco meses para ficar pronto. Ele havia sido cobrado a se manifestar sobre a continuidade das apurações no início de janeiro, quando Moraes abriu vista ao Ministério Público Federal. 

A reposta só veio na sexta-feira e diz que o inquérito não conseguiu apontar a participação de deputados e senadores nos crimes investigados. Os parlamentares chegaram a ter os sigilos bancários quebrados no curso das investigações.

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