
A seleção brasileira pretendia fazer um treino fechado, neste sábado, na véspera da partida contra o Iraque, pela segunda rodada do futebol masculino olímpico. Os portões do Estádio Abadião, na cidade de Ceilândia, foram fechados após 15 minutos de aquecimento, conforme prometido. Do lado de fora do acanhado estádio, com muros altos e sem pintura, cerca de 400 torcedores só desejavam ver os seus ídolos. Não puderam. A seleção se fechou atrás da murada de 4 metros de altura.
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Mas enquanto a torcida protestava e exigia a abertura dos portões, entrou em campo o que há de melhor no brasileiro: a criatividade e a arte do drible. Em um sobrado verde claro, de quatro andares, localizado na Avenida Oeste, ao lado de uma das faces do estádio, mais de 30 torcedores se acotovelavam no terceiro e no quarto pavimentos, a fim de assistir o técnico Rogério Micale postando em campo o mesmo time que empatou com a África do Sul, na estreia dos Jogos, treinando escanteios e faltas, além de conversar em rodinha com os atletas.
– O pessoal foi chegando. Os amigos foram entrando porque já sabiam que as nossas varandas dão de frente para o gramado – se divertia Maria do Rosário, proprietária do apartamento do terceiro andar.
– Olha, esse é o Neymar? – perguntava a designer Rose Morais, mostrando a máquina fotográfica e pedindo confirmação para saber se realmente havia clicado o ídolo.
Idosos, crianças, adolescentes e adultos estavam em êxtase ao poder assistir ao treino, mesmo que a uma distância de pelo menos 20 metros.
– Queria que meu filho estivesse aqui. Ele até gravou uma música para o Neymar. E conseguiu entregar o CD a ele, em outra oportunidade – contou Shirley de Jesus, mãe de Wander Fonseca Filho ou Lill One, como prefere ser chamado como cantor de hip-hop.
Caso a seleção de Micale tenha a sagacidade dos moradores da Avenida Oeste de Ceilândia, certamente o Brasil vai recuperar os bons tempos da Seleção.


