O novo líder da Síria, Ahmed al-Sharaa, e o primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, prometeram construir relações duradouras entre os países, em tensão há anos. A promessa foi feita no sábado (11) durante a primeira visita de um chefe de governo libanês a Damasco desde o início da guerra civil em 2011.
Os dois países vizinhos estão buscando melhorar as relações após rebeldes islamistas sírios assumirem o controle de Damasco em dezembro de 2024, pondo fim ao governo de Bashar al-Assad. O novo líder sírio disse que esperava abrir um novo capítulo nas relações bilaterais, dias depois que o Líbano elegeu um presidente após dois anos de impasse.
— Haverá relações estratégicas duradouras, com grandes interesses comuns — disse Al Sharaa em uma coletiva de imprensa conjunta, estimando que a eleição de Joseph Aoun para a presidência levaria a uma "situação estável" no Líbano.
Ahmed Al Sharaa pediu para esquecer as "relações passadas" entre os dois países e "dar uma chance" aos dois povos de estabelecer "relações positivas e baseadas no respeito e na soberania dos dois Estados".
— Tentaremos resolver os problemas por meio de negociações e diálogo — disse.
O primeiro-ministro libanês disse que as novas relações devem se basear em "respeito mútuo, igualdade e soberania nacional".
— A Síria é a porta de entrada natural do Líbano para o mundo árabe e, enquanto ela for bem, o Líbano irá bem — acrescentou Najib Mikati.
Entenda o conflito
A Síria foi, durante três décadas, sob o comando do clã Al Assad, uma força política e militar dominante no Líbano, onde interveio durante a guerra civil de 1975 a 1990 e é responsável por vários assassinatos de figuras políticas.
A Síria, que compartilha uma fronteira de 330 quilômetros com o Líbano, retirou suas tropas do país vizinho em 2005 sob pressão local e internacional após o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri.
As tensões entre os dois países aumentaram ainda mais devido ao apoio militar do grupo islâmico libanês Hezbollah ao ex-presidente Bashar al-Assad, um aliado do Irã, durante a guerra civil síria, que deixou mais de meio milhão de mortos.