
Enquanto se deslocava entre reuniões na cúpula do clima da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, Estados Unidos, o presidente francês Emmanuel Macron voltou a falar sobre a Amazônia. Em declarações exclusivas à reportagem, além de reforçar por três vezes que a cooperação internacional pela floresta respeita a soberania dos países, Macron disse que "a França é parte da Amazônia, então eu devo ser eficiente em buscar soluções".
— Eu respeito a preocupação de Bolsonaro, mas obviamente nós respeitamos a soberania dos países — disse na noite desta segunda-feira (23).
Com 83,534 km², o território da Guiana Francesa ocupa uma pequena parte da Amazônia, presente em nove países com um total de 8,47 milhões de km². O bioma é comumente citado como brasileiro pelo fato de o Brasil possuir 5,5 milhões de km² da floresta amazônica
Mais cedo, Macron havia se reunido com a chanceler alemã, Angela Merkel, e os presidentes da Colômbia, Iván Duque, Bolívia, Evo Morales, e Chile, Sebastian Piñera — que sediará a próxima COP do Clima da ONU, em dezembro. Além disso, o mandatário francês encontrou-se com o vice-presidente do Suriname Ashwin Adhin.
A reunião, às margens da cúpula do clima de Nova York, criou uma aliança entre doadores e países amazônicos para recuperar áreas degradadas pelo fogo na Amazônia e prevenir incêndios. Citando a França e a Alemanha entre os doadores da iniciativa, afirmou que "quanto mais projetos concretos nós tivermos, mais nós vamos investir para combater a destruição da Amazônia".
— Todo mundo estava aqui. A porta está aberta para Bolsonaro também — afirmou. — Acho importante para Bolsonaro e para o povo brasileiro fazer parte dessa iniciativa — disse.
Questionado se seguiria com a aliança mesmo sob oposição de Bolsonaro, Macron respondeu que "nós devemos isso ao povo brasileiro e ao resto da humanidade também". Segundo ele, a aliança para prevenir incêndios e reflorestar as áreas degradadas é o segundo passo a ser tomado depois de combater o fogo.
— Nós fizemos isso com uma cooperação concreta com Colômbia, Bolívia, todos os países que requisitaram nossa ajuda (no combate a incêndios) — afirmou.
A reunião também contou com ONGs internacionais, representantes das comunidades da Amazônia e os governadores dos estados do Amazonas e do Amapá. Para Macron, a diversidade de representação para além de entes estatais é "um sinal de que podemos fazer uma governança inclusiva".
Ele também confirmou que o uso do termo "florestas tropicais" em vez de "Amazônia" na reunião foi uma tentativa de evitar atrito com Bolsonaro.
— Sim, mas neste altura de tanta pressão, não poderíamos deixar de ter essa aliança — respondeu.
— Todos os líderes estão preocupados e completamente conscientes sobre a importância do tópico. Acho que o propósito final de todo mundo deveria ser o reflorestamento depois do fogo, a prevenção de incêndios e a conservação da floresta amazônica — disse.
Macron já havia demonstrado preocupação com os compromissos ambientais do Brasil desde a eleição de Bolsonaro, quando o presidente francês passou a anunciar que a permanência dos países no Acordo de Paris seria condicionante da relação comercial com a França. A condição está prevista no acordo comercial entre União Europeia e Mercosul —que corre o risco de ser vetado pelo parlamento europeu após a crise das queimadas na Amazônia.
— Envio meus melhores votos ao povo brasileiro. São ótimas pessoas e temos muito respeito por elas — disse Macron ao fim da conversa.




