
Desde 2004, quando assumiu pela primeira vez o topo do ranking mundial, Roger Federer tem elevado o nível do tênis a um patamar jamais conhecido.
Pela sétima vez, o suíço, no final de semana passado, conquistou o Masters 1000 de Cincinnati aos 34 anos. Bateu o atual número 1 do mundo, Novak Djokovic. Às vésperas de se iniciar o Us Open, último Grand Slam da temporada, Federer mostra que, ser o maior tenista de todos os tempos, significa se reinventar a cada dia.
Se quisesse encerrar a carreira hoje, já seria lembrado eternamente como o maior tenista da história e um dos mais brilhantes desportistas da humanidade. O suíço, porém, parece saber que o tênis precisa dele.
São 87 títulos conquistados na carreira, sendo 17 Grand Slam, 1.041 vitórias, 302 semanas como melhor do mundo, vencedor do Prêmio Laureaus por quatro vezes, recordes e façanhas que renderam a Roger Federer, até o momento, mais de 90 milhões de dólares em premiação.
Desde que começou a ser treinado por Stefan Edberg, Roger mudou a raquete, passou a adotar novos conceitos táticos. Pratica um tênis mais agressivo e menos desgastante fisicamente. Quem assiste ao novo Federer, vê o tenista devolver os serviços a menos de um metro da linha de saque. Tudo isso para pressionar e surpreender o adversário. Algo inimaginável para quem já conquistou quase tudo na carreira - falta a medalha de ouro olímpica na modalidade simples.
Federer percebeu que, para seguir competindo em alto nível com Djokovic, Murray e Nadal, seria preciso passar por um processo de reciclagem e inovação. E foi exatamente o que ele fez.
Desde 2009, Federer não chega à final no Us Open, quando perdeu para Del Potro. As condições climáticas, a alta temperatura e o desgaste de disputar partidas em melhor de cinco sets podem ser duros adversários contra o suíço. Mas não se pode duvidar de um tenista que conseguiu se reinventar após ter conquistado tudo, superando diferentes gerações que surgiram nesse período.
Ao perder a quinta final de Cincinnati para Federer, Djokovic brincou:
- Vou esperar Roger se retirar para ganhar este torneio.
Mesmo que tenha sido dita em tom de descontração, peculiar do sérvio, a frase fala muito sobre o tênis atual. Para que outros fenômenos possam surgir e se estabelecer, será preciso esperar que Federer se aposente. E quando isso acontecer, o tênis não será mais o mesmo.




