Tem noites eternas, como a de 8 de agosto de 2023. São eternas porque quebram recordes: precisamente, 50.479 pessoas encheram as arquibancadas, no maior público do Beira-Rio pós-reforma, logo depois de fazer uma festa colorida em vermelho na chegada do ônibus. São eternas porque acabam com escritas: o Inter nunca tinha vencido uma disputa por pênaltis em Libertadores. São eternas porque testemunham a queda de um gigante para outro.
Pela primeira vez na história, diante de de uma lotação esgotada, o Inter superou o River Plate no tempo normal, 2 a 1, e em penalidades que pareceram eternas: 9 a 8, após 20 cobranças. Sabe-se lá o futuro — nas quartas, os colorados enfrentam o Bolívar, que eliminou o Athletico-PR, com primeiro jogo na altitude, segundo em Porto Alegre — mas quem acompanhou o confronto da terça-feira sabe que viveu uma noite eterna.
A festa do Inter começou uma hora e meia antes de a bola rolar. Quando o ônibus da delegação colorada apontou na Rua Nestor Ludwig, dobrando da Padre Cacique, Porto Alegre se iluminou de vermelho. Talvez chamar de Ruas de Fogo seja reduzir o colorido que emoldurou o estádio.
Durante o jogo, a torcida do Inter rivalizou com a do River. E que bravura têm os argentinos. Eram 2 mil, acostumados a grandes confrontos, inspirados pelos títulos recentes.
Mas durante o jogo, o Inter quis ganhar mais do que eles. Em campo, as ações ofensivas foram coloradas, mesmo depois de abrir o placar, com Mercado. Só depois que Alan Patrick fez o segundo (de falta, o que não ocorria desde março do ano passado), que o campeão do país vizinho resolveu jogar. E chegou ao gol que igualava o placar na soma dos dois confrontos. Então vieram os pênaltis. Pela quarta vez em quatro mata-matas na temporada.
O River abre e faz, o Inter bate pressionado e empata. Essa cena se repetiu sete vezes. Aí, o destino deu um presente aos colorados. Para quem não lembra da eliminação para o América-MG na Copa do Brasil, o Inter caiu após De Pena escorregar e bater com os dois pés na bola. Pois a noite teve isso: Solari escorregou e deu dois toques na bola. Era só fazer. E justo De Pena. Mas o futebol pode ser cruel. Ele chutou na trave. Era tanto pênalti que até de lado trocaram. Foram para a frente da estátua de Fernandão, onde Figueroa fez o gol de 1975, Tinga o de 2006, Nilmar o de 2008. Rojas botou na trave. E Rochet tomou a frente de Vitão. O uruguaio teve a personalidade para converter e classificar o Inter.
— Considero uma noite fantástica. Era a maneira ideal de terminar um jogo quase perfeito que fizemos, que quase nos escapou por uma distração no último minuto. Isso é o Inter, merecemos classificar — vibrou o goleiro.
Bruno Henrique, que entrou aos 40 minutos para tentar segurar, logo no lugar de Alan Patrick, sentiu-se à vontade com a nova camisa. Cobrou bem sua penalidade, comemorou a classificação e declarou:
— Decisão por pênaltis tem sempre muita adrenalina. Foi uma grande noite, o time jogou bem, a torcida fez uma festa linda, desde a nossa chegada. Que bom que pudemos dar esse presente para eles.
A festa seguiu-se noite adentro. No entorno do estádio, os bares ficaram lotados. Todos tinham alguma história para contar.
Só que daqui a duas semanas tem de novo. Primeiro na altitude de La Paz, contra um adversário que avançou em um grupo que tinha Palmeiras, Cerro Porteño e Barcelona-EQU. E que foi a Curitiba e tirou o Athletico-PR. A noite eterna também tem fim. Podendo recomeçar nas quartas de final.


