
Se a lateral esquerda do Inter tem um dono absoluto (Uendel disputou 53 partidas no ano, o recordista do time), a direita é a mais indefinida do Inter. Desde a saída de William, que dominou a vaga por dois anos, a equipe vê um desfile de tentativas por ali. Só em 2017, incluindo o próprio William, foram sete jogadores a ocupar a função. Agora, pelos dois primeiros treinos da semana, parece ser a vez de Alemão a ter mais uma oportunidade.
Alemão foi titular na última partida, contra o Criciúma, por causa da suspensão de Winck, que havia recebido terceiro cartão amarelo. Não foi bem. Por seu lado, a equipe catarinense criou as melhores chances, inclusive foi por lá que Silvinho sofreu o pênalti que gerou o gol de empate. Winck também não vinha tendo boas atuações. Resgatado do time sub-23 no início da Série B, chegou até a marcar um gol, contra o Guarani, mas viveu recente declínio técnico. Apesar disso, garantiu estar bem:
— Foi um ano que não começou como eu queria, pois eu estava no time sub-23, mas mantive a cabeça no lugar e busquei meu espaço. Estou numa sequência boa e espero manter isso. Tive passagens pela Itália e pela Chapecoense que não foram muito boas. Agora tem sido o melhor momento da minha carreira — comentou ao programa Show dos Esportes, da Rádio Gaúcha.
Do lado de Alemão, pesa o retrospecto. Com o lateral em campo, o time sempre venceu.
— Treino forte para desempenhar o melhor papel possível dentro de campo. A minha volta foi extraordinária, sem perder, mas o desempenho pessoal é o que menos importa. O que importa é somar três pontos. Trabalho, estou preparado para a minha oportunidade. E espero corresponder da melhor maneira possível — disse, em entrevista coletiva.
Nei era o lateral titular na campanha da Libertadores de 2010 e da Recopa de 2011, os últimos títulos relevantes do Inter. Ele encontra uma explicação para a falta de sequência na posição.
— O Brasil valoriza pouco o lateral desde a base. Formamos zagueiros, volantes, meias e muitos atacantes. Então improvisamos alguém na lateral. Achamos que é uma posição menor — comenta o jogador de 31 anos, que aguarda por contatos para seguir atuando em 2018.
Segundo ele, outro aspecto a ser destacado é o excesso de cobrança ofensiva que a posição exige no país.
— Entendo que lateral precisa primeiro entender que é defensor. Nos modelos de jogo do Brasil, já tem um cara atuando na ponta, o extrema. Então o lateral não precisa subir toda hora. Tem é que fechar a linha de defesa e ir na boa. A não ser que seja um fenômeno, como o Kléber (ex-Inter), a primeira missão é ocupar espaço atrás — comenta o futuro técnico, que está fazendo o curso da CBF.
Esse discurso é alinhado ao do tricampeão gaúcho com o Inter em 1981, 1982 e 1983, Edevaldo. Apesar de ter sido bastante ofensivo quando jogador (foi, inclusive, vice-artilheiro do Estadual de 1982), ele defende a teoria de que primeiro o lateral precisa saber que é um zagueiro pelo lado do campo. Em compensação, pede ousadia e personalidade na hora de se juntar ao ataque.
— Quando o lateral passar do meio do campo, ele tem de ser decisivo. Precisa buscar a linha de fundo com consciência e força e não pensar em cruzar, mas em passar a bola para o companheiro que está na área. Isso exige treino, principalmente físico e técnico. Quando jogava, me dedicava muito. Por isso meu apelido era Cavalo. O (Gilberto) Tim, preparador físico, brincava que tentava achar um jeito de me matar, mas eu sempre dobrava ele — recorda Edevaldo.
Laterais em 2017
- William: 20 jogos
- Winck: 16 jogos
- Junio: 13 jogos
- Alemão: 12 jogos
- Fabinho: 5 jogos
- Ceará: 3 jogos
- Edenilson: 2 jogos
Números de quem briga pela vaga
Cláudio Winck
- 16 jogos
- 1 gol
- 30 finalizações
- 17 desarmes
- 465 passes certos
- 81 passes errados
- 11 cruzamentos certos
- 29 cruzamentos errados
- 48 faltas cometidas
- Nenhuma assistência para gols
- 11 assistências para finalização
Alemão
- 12 jogos
- Nenhum gol
- 1 finalização
- 13 desarmes
- 143 passes certos
- 25 passes errados
- 3 cruzamentos certos
- 13 cruzamentos errados
- 10 faltas cometidas
- Nenhuma assistência para gols
- 5 assistências para finalização




