
Grêmio e Palmeiras voltarão a se enfrentar pelas quartas de final da Libertadores após 24 anos. Como ocorreu em 1995, os dois clubes têm semelhanças na maneira como formaram seus atuais elencos. No entanto, na maneira de jogar, Tricolores e Alviverdes apresentam estilos invertidos.
Com o técnico Luiz Felipe Scolari agora no lado paulista, é o time alviverde que tem seu jogo baseado no fator físico. O Tricolor vem nos últimos anos com Renato Portaluppi praticando um futebol de maior toque de bola, algo parecido com o que o Palmeiras fazia nos enfrentamentos da década de 1990.
— É uma nova história. O Grêmio tem um time que joga diferente, com a bola mais no chão. Na nossa época, nós buscávamos muito os cruzamentos. Nossa equipe jogava muito em função dos atacantes com os laterais chegando todo tempo ao fundo — observa o ex-volante gremista Luís Carlos Goiano.
O paraguaio Arce ressalta a influência de outro ex-companheiro, Roger Machado, na mudança de estilo que o Grêmio passou nos últimos anos.
— Os papéis estão trocados. O Grêmio é o Palmeiras daquela época e o Palmeiras é o Grêmio. O Grêmio começou essa virada de estilo com o Roger. O Renato conseguiu polir o que o Roger não tinha tido tempo de fazer e o time vem mantendo a regularidade — afirma o ex-lateral.
Com estilos opostos, Grêmio e Palmeiras também chegam em momentos distintos para o confronto de quartas de final. O Tricolor vem em alta após a vitória sobre o Athletico-PR na semifinal da Copa do Brasil, quando mais uma vez a equipe de Renato Portaluppi mostrou sua força em jogos de mata-matas. Já o alviverde passa por turbulência na temporada. Após a Copa América, o time somou apenas duas vitórias em nove partidas.
— O Grêmio hoje tem um time melhor que o Palmeiras, que vive seu pior momento e é uma equipe imprevisível. A má campanha no Brasileirão não afeta o Grêmio, que assumidamente deixa a competição em segundo plano. Já o Palmeiras perdeu a liderança do Brasileirão e vem jogando mal — destaca o comentarista Mauro Cezar Pereira, dos canais ESPN.
Para o jornalista, a derrota para o Inter na Copa do Brasil foi o estopim para a virada negativa do Palmeiras. Após a eliminação no Beira-Rio, acredita Mauro Cezar, os problemas do time foram escancarados.
— O Inter surpreendeu o Palmeiras naquele jogo. O Inter atacou, martelou e até chegou a fazer o 2 a 0. Teve um gol mal anulado e depois passou nos pênaltis. Depois dali, o Palmeiras vem sofrendo gols em quase todos os jogos.
Dentro desses estilos, o cenário para o primeiro jogo das quartas de final na Arena é esperado com o Grêmio atuando com muita posse de bola diante de um Palmeiras que vai procurar um jogo direto para contra-atacar. Essa forma deu resultado ao time paulista na conquista do Brasileirão no ano passado, mas não tem funcionado em mata-matas. Somente neste ano, o clube foi eliminado da Copa do Brasil e do Paulistão. Em 2018, caiu para o Cruzeiro na Copa do Brasil e na Libertadores para o Boca Juniors.
— Eu imagino o Palmeiras fechado, com muita ligação direta e bolas para Dudu e o centroavante. A partir do momento em que sair um gol, pode ser que mude de figura. O Palmeiras deve fazer seu jogo habitual, sem muito repertório. Palmeiras vai apresentar algo diferente? Eu ficarei realmente surpreso se isso ocorrer. Até agora, o Palmeiras é um time previsível — avalia Mauro Cezar.
Alerta de ex-comandados
Ainda que o momento do Palmeiras não seja bom e o trabalho de Luiz Felipe Scolari venha sendo questionado, os ex-comandados destacam a capacidade do treinador de mobilizar suas equipes para jogos decisivos. Tanto Arce quanto Goiano elogiam o técnico e ressaltam que o Grêmio deve esperar um confronto de grande dificuldade na Libertadores.
— Penso que o Felipão, juntamente com o Carlos Bianchi (técnico argentino, o maior vencedor da Libertadores, com quatro conquistas), são os treinadores que melhor sabem trabalhar em mata-matas de Libertadores. O Felipão tem facilidade muito grande de passar tranquilidade para o time. Quando perdíamos fora de casa, ele já vinha passando essa segurança de que iríamos virar em casa, o que quase sempre ocorria — relembra Arce.
Luís Carlos Goiano ressalta que a forma de trabalhar de Felipão foi determinante para o Grêmio superar o time mais técnico do Palmeiras nos confrontos dos anos 1990.
— Individualmente, o Palmeiras tinha mais qualidade, mas pelo conjunto conseguíamos levar a melhor. O nosso time sabia das limitações. O Felipão conseguiu fazer do Grêmio uma equipe muito forte mentalmente. A gente enfrentava as dificuldades e conseguia superar — conclui Goiano.




