
Mais um Brasileirão que termina com Grêmio e Inter sem conquistar o título. Desde o começo dos pontos corridos, a Dupla faz boas campanhas, mas na "hora H" termina não conseguindo se sustentar no topo da tabela. Este ano, um dos fatores importantes foi o desempenho individual dos seus atletas.
Falando de organização ofensiva (como os times atacam), a dupla Gre-Nal nunca chegou ao volume de equipes como Flamengo e Atlético-MG, ou Santos e Atlético-PR, que tiveram um destaque ofensivo por momentos do torneio. E não falo apenas de gols marcados.

Dudu foi o craque do Brasileirão e Bola de Ouro do campeonato não por acaso. Ele terminou na frente em diversos fundamentos ofensivos importantes. Por exemplo, na soma de assistências + gols marcados e na participação em jogadas de gol. No primeiro, foram 21 (14+7) e no segundo, 36 (o que significou participação em 56% das jogadas que terminaram em gol do Palmeiras).
Na junção de assistências com gols marcados, Nico López ficou em quarto lugar, com 17 (6+11), comprovando seu grande ano como principal jogador do Inter. Neste quesito, quem mais se destacou no Grêmio foi Everton, que ficou em 11° lugar, com três assistências e 10 gols marcados (13 no total).

O uruguaio volta a se destacar nas jogadas de gol do Colorado, ficando em quarto lugar entre todos (atrás de Dudu, Gabigol e Cazares). Nico participou de 26 jogadas que terminaram em gols, significando 46% dos gols marcados. Do Tricolor, o mais importante foi Everton, que aparece apenas em 20° lugar, participando em 17 jogadas de gol (35% do total).
OS MAESTROS PIFADORES
Um fundamento muito importante na construção ofensiva é o chamado "passe-chave". É aquele passe que pode criar uma chance de gol, seja como uma assistência, ou como um passe de ruptura prévio a uma assistência. Time com poucos passes-chave marca poucos gols.
Enquanto Cazares (102), do Atlético-MG, e Éverton Ribeiro (92), do Flamengo, foram os que mais deram passes deste tipo, Maicon, do Grêmio, foi apenas o 14° no campeonato, com um total de 60. Nico López, sempre ele, deu um a menos: 59.

E quem achou que D'Alessandro não foi importante no Brasileirão enganou-se. O argentino foi o mestre das bolas paradas no Inter. Faltas, pênaltis e escanteios foram com ele, que teve média de 50% de acerto nas cobranças. O mesmo aproveitamento que Luan no Grêmio. O "Rei da América" de 2017 foi o cobrador oficial das bolas paradas gremistas.
Mesmo assim, ambos ficaram bem longe dos três melhores cobradores do campeonato, que tiveram aproveitamento acima de 60%. Desta forma, podemos ver como muitos desempenhos individuais importantes em fundamentos ofensivos de jogadores da dupla Gre-Nal ficaram abaixo dos melhores desempenhos do Brasileirão.
Em um campeonato longo e com o calendário apertado por outros torneios, conseguir que os jogadores evoluam nos fundamentos será o grande desafio para Renato Portaluppi e Odair Hellmann em 2019.
Os números são fornecidos pela InStat, maior plataforma de dados de futebol do mundo.



